Educação e violência

Acabou? Ainda não!
Vanilda Souza

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O título acima parece não ter relação, mas diante de tudo o que presenciamos recentemente, com assassinatos de crianças em favelas, violência de jovens por ex-namorados( 4 só na semana passada), roubos a assaltos nos grandes, médios e pequenos municípios. E a triste informação de que 244 mil crianças de 6 a 14 anos estavam fora da escola, aumento de 171% no último ano, segundo Todos Pela Educação.

Perguntarão, o que os fatos têm em comum. Constata-se a estreita ligação. A violência é diretamente proporcional à ausência de educação. A taxa de óbitos foi de 172 por 100 mil habitantes. Aumento de 37,3% de 2020 a 2021(dados do Monitor da Violência). Dos 50.033 indivíduos assassinados em 2021, 78% foram provocados por armas de fogo. A legalização das armas corroborou para a estatística. Chegamos ao fundo do poço?  Banalizamos a violência. População, autoridades políticas e policiais, enfim a sociedade como um todo, caminha para a normose, uma indiferença que torna os fatos normais. Está acontecendo com a família da gente? Não? Por enquanto, pois pode nos atingir a todos a qualquer hora.

Enfurecidos clamamos por justiça, mesmo que seja com as próprias mãos. As leis existem, mas a justiça falha. Pedimos mais policiamento, leis mais duras, redução da maioridade penal(como se discute há mais de 6 anos). O assunto fica em foco e cai no esquecimento, em seguida, como tudo neste país(ver mensalões, milhões encontrados em apartamento de deputado, superfaturamento de obras, carros, rachadinhas, etc).

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Não adianta revolta. A origem da violência começa na família e passa pelo Estado, omisso em sua responsabilidade de investir em educação. Se os garotos, que hoje estão nas ruas, tivessem perspectivas de inserção social e  de futuro, com certeza, não cairiam na marginalidade, sobretudo nos braços dos traficantes, que sequestram nossos filhos e nossa paz. Para tanto, educação é imprescindível.

       Hoje, independentemente da classe social, pais arrumam milhares de atividades para os filhos. Muitas vezes, as crianças passam o dia inteiro em creches, escolinhas, berçários, aulas de dança, computação, inglês, entre outras. E o tempo do afeto? Psicólogos defendem a qualidade em detrimento da quantidade, porém, que qualidade de tempo dão aos pequenos?

    Chegam em casa exaustos, tensos, quando não desempregados, e querem sossego. Não contam historinha, não os colocam no colo, apenas delegam à televisão-agora também celulares- o papel de babá.   Mesmo quando presentes, pais e mães, ficam com olhos e mentes pregados nas redes sociais. Nas fotos do Face, Instagram ou WhatsApp, aparecem famílias  sorridentes e felizes. Diante da conjuntura caótica e embotada de hoje, que estrutura emocional e afetiva lhes oferecem?

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O Estado, por sua vez, não aplica de forma correta nossos suados impostos. Basta ver a conclusão do estudo divulgado há pouco tempo, apontando que a educação piorou nos últimos 10 anos. Presença afetiva da família( cujo número de filhos deve ser compatível com sua situação financeira) e investimento maciço em educação, além de programas municipais de saúde, que envolvam a comunidade(jovens e seus pais) podem fazer a diferença e mudar a conjuntura violenta atual. Mas, o que estamos fazendo para isso? Omissão só alimenta a sanha dos gananciosos e aumenta a violência. Lutemos pela paz, fazendo valer nossos direitos, não apenas nossos deveres, sobretudo no que diz respeito à educação e à saúde.

Vanilda Souza Marques
Jornalista e ambientalista

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