Por que não a paixão sempre? Paixão mais amor
Ambíguo? Real e persistente. Torturador e contínuo.
Calo-me, penso, repenso
A razão do ser. Partícula tem ser?
Não é vegetal, não é animal.
Um corpo sem vida no espaço.
Latente…
Passado, futuro. Saudade, ausência…
E o latente inspira vida
Pouco ser, mas ser,
Razão do eu depressivo
Individualidade da partícula
Ser respeito, e sem cerimônia
Dor, partícula longíqua, infinita dentro do seu limite?
A dualidade do ser, o querer ver
O recusar
E ficar no espaço, perdida, calada, como partícula desintegrada, separada
Às vezes superposta, artificial e fria
Sem calor, sem brilho, sem vida, sem ligação
Não seria um vegetar?
Não, não tem sentido
Grito. Nem eco. Remexo, faço trejeitos
Não choro, nem falo. Sinto?
Não sinto. Não quero sentir.
E a vida? Esfacelou-se?
Que vida? Sem sentido?
A percepção? A razão? A compreensão? O quê?
Aterrissagem… Impacto…
Impacto…
Já não se encontra mais no vácuo. Labirinto. Choque..
O não querer ficar
Por que determinar a estabilidade de partículas desintegradas?
Nem átomos são…
O choque da aterrissagem. O cair no ser
Tem vida letente agora, a partícula
Pensa, cala, sente
Foge, corre, flutua e, agora, cai na terra.
Chora , e as lágrimas o formam o ser não assumido.
Passivo, submisso, rebelde, agressivo, contundente
Ser contraditório no labirinto. EU
Vanilda Souza Marques
Crônica de agosto de 1978- publicada no Diário Popular-SP-Teatro do Cotidiano





















