Labirinto

Acabou? Ainda não!
Vanilda Souza

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Por que não a paixão sempre? Paixão mais amor

Ambíguo? Real e persistente. Torturador e contínuo.

Calo-me, penso, repenso

A razão do ser. Partícula tem ser?

Não é vegetal, não é animal.

Um corpo sem vida no espaço.

Latente…

Passado, futuro. Saudade, ausência…

E o latente inspira vida

Pouco ser, mas ser,

Razão do eu depressivo

Individualidade da partícula

Ser respeito, e sem cerimônia

Dor, partícula longíqua, infinita dentro do seu limite?

A dualidade do ser, o querer ver

O recusar

E ficar no espaço, perdida, calada, como partícula desintegrada, separada

Às vezes superposta, artificial e fria

Sem calor, sem brilho, sem vida, sem ligação

Não seria um vegetar?

Não, não tem sentido

Grito. Nem eco. Remexo, faço trejeitos

Não choro, nem falo. Sinto?

Não sinto. Não quero sentir.

E a vida? Esfacelou-se?

Que vida? Sem sentido?

A percepção? A razão? A compreensão? O quê?

Aterrissagem… Impacto…

Impacto…

Já não se encontra mais no vácuo. Labirinto. Choque..

O não querer ficar

Por que determinar a estabilidade de partículas desintegradas?

Nem átomos são…

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O choque da aterrissagem. O cair no ser

Tem vida letente agora, a partícula

Pensa, cala, sente

Foge, corre, flutua e, agora, cai na terra.

Chora , e as lágrimas o formam o ser não assumido.

Passivo, submisso, rebelde, agressivo, contundente

Ser contraditório no labirinto. EU

Vanilda Souza Marques

Crônica de agosto de 1978- publicada no Diário Popular-SP-Teatro do Cotidiano

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