Bom dia, me diz o verdureiro, enquanto tento localizar uma rúcula orgânica no meio de tantas alfaces bonitas, viçosas, além das acelgas e brócolis, tudo bombado com adubos e agrotóxico. Do lado, seu companheiro vendedor de frutas comenta: “viu na tv que a tal inteligência artificial (escrevo em minúscula, pois estão enchendo muito a bola dessa tecnologia em voga) agora vai fazer até carne, hamburguer, peixe e salgadinho pra gente comer? E tinha gente experimentando e gostando. É o fim do mundo parceiro!”
Sem entender muito bem o papo, comprei o desejado e fui ver outros produtos. No caminho, um garotinho de cerca de 4 anos, sentado na calçada teclava afoito o celular, enquanto a mãe fazia as compras. Passei na padaria para um rápido café. Na mesa ao lado, uma mãe angustiada falava pra amiga que estava difícil tirar sua garotinha do “aparelho destuidor de prosas e aconchego.” Aspas, pois conjecturo se as novas tecnologias chegaram para o bem ou para o mal.
Há poucos dias, professora de escola particular em uma cidade do interior de São Paulo, relatava que, de sua sala com 22 alunos, apenas 3 não se cortaram. O que vem a ser isso? Modismos? Tendência das crianças e jovens, que se encontram cada dia mais ansiosas e
medicamentalizadas? Sem contar o aumento no índice de crianças e jovem que suicidam.
O fato é que, basta olhar no nosso entorno e constatamos a dificuldade de algumas pessoas, sobretudo as mais jovens, informatizadas, na interpretação de textos e de leitura. Será que os livros sumirão?Não creio.
Ao ler renomada revista nacional, crônica bem humorada, dissertava sobre o futuro da humanidade e ressaltava que a inteligência artificial passa por um processo biológico. Lembra Darwin quando na Teoria da Evolução descobriu que os indivíduos mais adaptados de uma espécie são aqueles que definem a evolução da própria espécie. Vixe!, então isso vale também para produtos, visto que o mercado define os que devem ou não permanecer. Picanha artificial? A evolução permeia tudo, logo a IA comandará o processo, como nos filmes de
ficção.
Quando vejo nos restaurantes, pais nos celulares e os filhos idem, penso na qualidade do que oferecíamos aos nossos filhos. Os pimpolhos de hoje não querem mais brincar, nem conversar ou ler, apenas teclar neste obscuro objeto do desejo que, por sua vez interfere também nas relações amorosas. Quem assistiu o filme “Ela”, poderá ter idéia do processo.
Nossas mentes estão congestionadas por memes, instagram, twiter, face e cositas a mais.
Agora só se fala em chatGPT e no diálogo com outras ferramentas. O cronista tem razão, quando prevê o dia em que ligaremos nosso computador e ele nos olhará com cara feia ou gargalhará feito psicopata. Observação genial desse escritor, que finaliza ter sido um sonho
assustador. Mas, seria um pesadelo prestes a se concretizar? Tempo curtinho dirá ser realidade. Nem quero ver. E nossos abraços, beijos, contatos “calientes” de pele, sorrisos largos e lágrimas, cumprimentos afáveis, gestos fraternos etc onde ficarão? Provavelmente
perdidos na linha do tempo.
Vanilda Souza Marques
Jornalista, ambientalista. Mesozoica no quesito IA

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.




























