O que comemorar no Dia Internacional da Água?

Acabou? Ainda não!
Vanilda Souza

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O Ano Internacional da Água Doce, criado em 2003 visou alertar-nos da premência em preservar este recurso finito. Todo dia 22 de março passou a ser dedicado à agua. Água também chegou a ser tema da Campanha da Fraternidade em 2004 : “Água, fonte da vida”. O planeta é constituído de 97% de água salgada e 3% de água doce. Deste total 2% estão nas geleiras e apenas 0,01% do 1% restante é potável. Por isso, precisamos preservá-la.

Conforme estudo do Instituto Trata Brasil, 35 milhões de pessoas não contam com água tratada no país. E 100 milhões não contam com coleta de esgoto, resultando em doenças que podem levar à morte. Segundo dados estatísticos, mais de 90 milhões de pessoas morrerão por doenças de contraídas por veiculação hídrica nos próximos 17 anos, a maioria crianças. Segundo a ONU-Organização das Nações Unidas mais de 3 bilhões de habitantes não têm acesso a saneamento básico.

Nossos rios tornaram-se transporte de lixo e esgoto, disse o professor Mohamed Habib, diretor do Instituto de Biologia da Unicamp – Universidade de Campinas,algum tempo atrás, acrescentando que a degradação ambiental acarretada por nós terá como conseqüência a degradação da relação entre povos e comunidades, aparecimento de epidemias e exclusão internacional.

Somos experts em fazer lixo. Quanto mais avançamos em tecnologia, o que muito nos orgulha, mais desenvolvemos produtos que agridem o meio ambiente. Temos usinas nucleares, e o lixo atômico compromete a vida de todos os seres por milhares de anos; assim como plásticos, papelões, equipamentos movidos a bateria, que contaminam águas e solos. Somos arrogantes por nos julgarmos deuses, não ouvindo o alerta da natureza, que já está se voltando contra nós, devido aos hábitos degradadores. Basta vermos as enchentes, as mudanças climáticas no mundo inteiro, o derretimento das geleiras, que comprometerá a vida na terra.

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Há pouco presenciamos a destruição de parte do litoral norte de São Paulo, em São Sebastião, além de cidades de todo o Brasil afetadas por enchentes avassaladoras, desde o ano passado, deixando milhares de pessoas sem teto. ONGs – Organizações Não Governamentais do mundo todo tentam alertar – nos da tragédia que estamos prestes a enfrentar pela falta de cuidado com a natureza. Uma delas, o saudoso Grito das Águas, bastante propalada no início de 2000, trouxe-nos a informação desoladora de que o Aquífero Guarani, com capacidade de abastecer oito estados brasileiros(Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Argentina, Uruguai e Paraguai), encontra-se comprometido pela poluição do plantio de soja, algodão e cana de açúcar.

Somos o retrato da incoerência. Poluímos rios, lagos, mares e lagos com nosso descuido, excesso de consumo e ambição, e depois gastamos fortunas para despoluí -los, dinheiro suado de nossos impostos e empréstimos do exterior. Para ficar em apenas dois exemplos: o Rio Tietê em São Paulo, que já consumiu mais de 700 milhões de dólares e as obras ainda nem foram concluídas; a Lagoa da Pampullha, na capital mineira, cujo prefeito Fernando Pimentel acertou com o BID – Banco de Desenvolvimento Mundial a quantia de US$ 45 milhões para recuperar 673 km de extensão de cursos d´água, incluindo a mesma.Está concluída a recuperação? Tudo se esvai no ralo dos gastos públicos.

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Todos nós, independentemente de sexo, raça, idade, nível cultural, devemos começar uma cruzada MAIS QUE URGENTE, agora, para garantir um mundo melhor a nossos filhos, netos, enfim, às futuras gerações e dar mais qualidade às nossas vidas. Para isso, basta alertar cada um que está ao nosso lado, dentro de casa, no bairro, na rua, na cidade, no trabalho, na escola e nos templos religiosos, sobre importância de protegermos nossos mananciais, evitando atirar lixo nos rios e mesmo nos bueiros, pois além de causar enchentes, o lixo causa doenças como leptospirose, dengue em objetos com água parada, entre outras. Sejamos soldados da paz, do amor e do ambiente limpo. Comecemos já!

Vanilda Souza Marques

Jornalista e ambientalista

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