CAMINHOS DE REGENERAÇÃO
Por Ricardo Mello
Olá, meus queridos irmãos e irmãs. Espero que todos estejam bem. Após uma longa pausa iremos retomar aqui no Blog do Madeira nosso encontro semanal para reflexões sobre a vida, virtudes, evolução e autoconhecimento. Vamos retomar com o tema Harmonia.
Convite à Harmonia: quando a alma precisa reencontrar o próprio eixo
*inspirado na obra Convites da Vida – Psicografia Dilvaldo Franco pelo espírito Joanna de Ângelis
Em meio à pressa, aos conflitos e ao excesso de estímulos, Joanna de Ângelis nos convida a redescobrir na natureza, no silêncio, no diálogo e na consciência caminhos para restaurar o equilíbrio interior.
Frase de destaque:
“Harmonia não é viver sem tempestades. É aprender a reencontrar o próprio eixo quando elas chegam.”
Quando foi a última vez que você abriu a janela apenas para olhar o céu?
Sem fotografar. Sem verificar mensagens. Sem pensar na próxima tarefa. Apenas olhar.
Vivemos cercados por tecnologias criadas para economizar tempo e, paradoxalmente, temos a sensação de que nunca tivemos tão pouco tempo disponível. Corremos entre compromissos, notificações, cobranças, notícias, responsabilidades familiares e profissionais. O corpo chega ao fim do dia, mas a mente não para: continua correndo.
Talvez por isso uma antiga recomendação espiritual soe tão atual.
No capítulo “Convite à Harmonia”, da obra Convites da Vida, psicografada por Divaldo Franco, Joanna de Ângelis nos chama a interromper por alguns instantes o ritmo acelerado da existência e recuperar o contato com aquilo que nos devolve equilíbrio.
A proposta é bem simples: observar uma paisagem, contemplar uma flor, aproximar-se das árvores, olhar o mar, perceber as montanhas, respirar com consciência. Viver a vida, enxergar o mundo, sentir e existir.
E, quando nada disso estiver ao nosso alcance, Joanna oferece uma das imagens mais bonitas de sua mensagem: abrir a janela à noite e contemplar as estrelas.
Talvez a regeneração também comece assim: quando diminuímos o barulho do mundo o suficiente para voltar a escutar a própria alma.
Quando a pressa nos afasta de nós mesmos
Joanna de Ângelis observa que a vida cotidiana pode nos submeter a estímulos capazes de nos desgastar, excitar e perturbar interiormente.
Não é difícil reconhecer esse cenário.
Há dias em que acumulamos tantas preocupações que qualquer pequena contrariedade parece enorme. Uma palavra atravessada torna-se discussão. Um atraso transforma-se em irritação. Uma divergência converte-se em ressentimento.
Não necessariamente porque o problema seja tão grande, mas porque já chegamos a ele interiormente exaustos.
É nesse ponto que a harmonia deixa de ser luxo e passa a ser necessidade.
Buscar equilíbrio não significa fugir das responsabilidades, abandonar a cidade ou imaginar uma existência sem problemas. Significa criar espaços interiores nos quais possamos recuperar lucidez antes de continuar caminhando.
O próprio Evangelho nos apresenta Jesus retirando-se em diferentes momentos para a oração e o recolhimento. Depois do contato intenso com as multidões, havia também o silêncio.
Existe sabedoria nisso.
Nem toda pausa é abandono do caminho. Algumas pausas são justamente aquilo que nos permite continuar.
Harmonia não significa ausência de conflitos
Quando pensamos em harmonia, podemos imaginar uma vida na qual nada dá errado, ninguém discorda de nós e todos os acontecimentos correspondem aos nossos desejos. Todos pensamos iguais.
Mas isso não é harmonia. É fantasia. É fuga da realidade.
A verdadeira harmonia é muito mais profunda. Exige um mergulho em nós.
À luz do Espiritismo, ela pode ser compreendida como um processo de alinhamento entre consciência, sentimentos e atitudes — uma busca progressiva por viver de acordo com as leis divinas e com os valores que reconhecemos como verdadeiros. Pensar, sentir e Agir ou Amar.
Em O Consolador, Emmanuel relaciona a saúde espiritual à harmonia da alma, conduzindo-nos a uma compreensão importante: equilíbrio interior não depende simplesmente da ausência de dificuldades externas.
Podemos atravessar uma tempestade e conservar a fé.
Podemos enfrentar uma divergência e preservar o respeito.
Podemos experimentar uma perda e continuar confiando em Deus.
A serenidade não é (nunca será) a ausência de sofrimento.
É a capacidade de não permitir que o sofrimento determine quem nos tornaremos.
Primeiro, pacificar a própria casa interior
Antes de desejarmos harmonia no mundo, talvez precisemos perguntar como anda o mundo dentro de nós.
Quantos conflitos exteriores começam em batalhas interiores que ainda não conseguimos compreender?
Guardamos ressentimentos. Repetimos mentalmente discussões antigas. Alimentamos culpas. Antecipamos problemas que talvez nunca aconteçam. Permitimos que a opinião dos outros determine nossa paz.
É nesta hora que a Parábola do Mestre Jesus oferece uma imagem preciosa.
Jesus fala da boa terra capaz de acolher a semente e produzir frutos. Podemos olhar para nosso próprio coração da mesma maneira.
Que tipo de solo estamos oferecendo aos pensamentos que chegam até nós?
A harmonia interior começa quando aprendemos a selecionar aquilo que cultivamos.
Nem todo pensamento precisa ser alimentado.
Nem toda provocação exige resposta.
Nem toda batalha precisa ser vencida.
Algumas precisam apenas ser abandonadas.
O lar: onde a harmonia é realmente testada
É relativamente fácil falar sobre paz quando estamos sozinhos.
O verdadeiro exercício começa quando precisamos compartilhar espaço, decisões, responsabilidades e diferenças.
Por isso, a família continua sendo uma das grandes escolas da alma. A primeira escola.
Em Nosso Lar, André Luiz registra reflexões sobre o instituto doméstico fundamentado na “harmonia justa”, com direitos e deveres devidamente partilhados.
A expressão é particularmente feliz porque não descreve um lar sem divergências.
Famílias reais discordam.
Pais e filhos pensam diferente. Casais atravessam fases difíceis. Temperamentos entram em choque. Palavras são ditas no momento e tom errado. Expectativas são frustradas.
A harmonia familiar não nasce da inexistência desses conflitos, mas da maneira como escolhemos atravessá-los.
Ela exige diálogo, respeito, responsabilidade, capacidade de pedir desculpas e disposição para perdoar e se perdoar.
Um lar harmonioso não é aquele em que todos pensam igual. É aquele em que o amor continua existindo quando as opiniões deixam de coincidir.
As parábolas da Ovelha Perdida e do Filho Pródigo nos recordam algo semelhante: a beleza do amor não está em garantir que ninguém jamais se perca, mas em manter aberta a possibilidade do reencontro.
A palavra também constrói ambientes
Existe outra dimensão da harmonia que frequentemente subestimamos: aquilo que fazemos com a palavra.
Uma frase pode pacificar uma casa.
Outra pode incendiar uma reunião.
Uma palavra pode devolver esperança a alguém.
Outra pode permanecer durante anos na memória de quem foi ferido.
Isso vale para a família, para o trabalho, para as redes sociais e para nossas instituições religiosas.
O Espiritismo nos convida à vigilância sobre a maneira como participamos dos ambientes que frequentamos. Pensamentos e atitudes com intenção de intrigas, ironias, críticas destrutivas, personalismos e disputas silenciosas podem comprometer lentamente aquilo que levou anos para ser construído.
Antes de perguntar quem está perturbando determinado ambiente, talvez seja mais proveitoso perguntar:
O que estou levando para os lugares aonde chego?
Paz ou inquietação?
Compreensão ou julgamento?
Cooperação ou disputa?
Nem sempre conseguiremos harmonizar o ambiente inteiro.
Mas podemos escolher não aumentar o ruído.
Quando a vida nos obriga a reencontrar o eixo
Há momentos, entretanto, em que nenhuma paisagem bonita será suficiente para impedir a dor.
A doença chega.
Um relacionamento termina.
Uma oportunidade desaparece.
Alguém que amamos parte.
Planos cuidadosamente construídos desmoronam.
É nesses momentos que a harmonia espiritual revela sua dimensão mais profunda.
A Doutrina Espírita não nos promete uma existência sem provas. Ao contrário, ajuda-nos a compreendê-las dentro de uma visão mais ampla da vida e do progresso do Espírito. Toda experiência vivida é oportunidade dada por Deus para nossa evolução.
Resignação, nesse contexto, não significa passividade.
É reconhecer aquilo que não podemos modificar sem desistir daquilo que ainda podemos transformar.
Talvez não possamos mudar o acontecimento.
Mas ainda podemos escolher nossa resposta. Nossa ação diante das provas.
Talvez não possamos retornar ao ontem.
Mas podemos decidir aquilo que faremos amanhã.
A harmonia não consiste em controlar a vida. Controle somente o de Deus, a nós compete termos a fé e a confiança Nele.
Consiste em aprender, pouco a pouco, a caminhar com ela.
Um minuto diante das estrelas
Joanna de Ângelis nos apresenta a natureza como caminho de recomposição interior.
Não precisamos transformar isso em mais uma obrigação.
Não é necessário organizar uma grande viagem, encontrar o lugar perfeito ou esperar pelas férias.
Talvez exista uma árvore na rua.
Uma flor no caminho.
Um pôr do sol que sempre acontece enquanto estamos olhando para outra tela.
Talvez exista apenas uma janela.
Então, nesta semana, experimente algo simples.
Em alguma noite, desligue o celular por alguns minutos.
Abra a janela.
Olhe para o céu.
Respire.
Ore, se desejar.
Não peça imediatamente nada. Apenas agradeça.
As estrelas não resolverão nossos problemas. Mas talvez nos recordem de algo que a pressa nos fez esquecer:
o mundo é maior que a nossa ansiedade, a vida é maior que o problema de hoje e Deus continua presente mesmo quando perdemos momentaneamente o nosso eixo.
Depois, feche a janela e volte para sua realidade.
Os problemas talvez continuem lá.
Mas você poderá voltar diferente.
Mais sereno.
Mais consciente.
Mais disposto a perdoar.
Mais cuidadoso com as palavras.
Mais paciente com quem divide o teto com você.
E também mais paciente consigo mesmo.
Porque a harmonia não é um lugar ao qual finalmente chegaremos.
É um equilíbrio que aprendemos a reconstruir, inúmeras vezes, durante a caminhada.
Quando o mundo estiver barulhento demais, talvez seja hora de fazer silêncio.
E, quando a alma já não souber para onde olhar, talvez baste abrir a janela.
Às vezes, contemplar as estrelas também é uma forma de oração.
E a vida, silenciosamente, continua sendo um permanente Convite à Harmonia.
Paz e bem a todos.
Ricardo é casado com Fabiane e pai da Manuella. É professor, consultor empresarial e mentor de carreiras, unindo ciência, educação e espiritualidade. Trabalhador nas casas espíritas Francisco de Assis e CEAC – Amor e Caridade, integra o Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho (NEPE) – Alcíone e apresenta os programas Centelha de Luz e Convites para a Luz na Web Rádio Portal da Luz.
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Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.

























