Quando assumiu o comando do município, em 2020, já conhecia profundamente a máquina administrativa. Havia sido vice-prefeito de Antônio Silva e conhecia os secretários, projetos, obras, contratos, problemas e o funcionamento interno da Prefeitura.
Portanto, não chegou para descobrir a cidade. Chegou com experiência, conhecimento e uma estrutura construída ao longo de anos.
Também é preciso considerar que assumiu em plena pandemia da Covid-19, um dos períodos mais difíceis para os administradores públicos. Ao mesmo tempo, os municípios receberam recursos extraordinários e enfrentaram circunstâncias econômicas excepcionais.
Por isso, uma avaliação séria precisa separar aquilo que resultou efetivamente das decisões do governo municipal daquilo que decorreu da pandemia, de recursos extraordinários ou de políticas iniciadas anteriormente.
Verdi recebeu obras em andamento, projetos estruturados, uma máquina administrativa funcionando, empresas e investimentos atraídos anteriormente e os efeitos econômicos de decisões tomadas por administrações anteriores.
E não há nada de errado em dar continuidade a políticas públicas. O problema começa quando continuidade passa a ser apresentada como criação.
A história econômica de Varginha não começou em 2020
Nos dois mandatos anteriores de Antônio Silva, Varginha recebeu empresas e investimentos que produziram reflexos na economia municipal.
Verdi era vice-prefeito e participou daquela administração. É legítimo que reivindique parte da responsabilidade política pelo que foi construído naquele período. Mas também é necessário reconhecer o papel de Antônio Silva e de sua equipe.
Não se pode reescrever a história administrativa de uma cidade para transformar realizações coletivas em conquistas atribuídas exclusivamente ao prefeito de plantão.
Arrecadação, VAF, investimentos, empregos e obras precisam ser analisados dentro de uma trajetória. O desenvolvimento de Varginha não começou em 2020.
A pandemia foi um acontecimento extraordinário e seria injusto ignorar as dificuldades enfrentadas pelos municípios.
Os recursos extraordinários, medidas emergenciais e circunstâncias que afetaram receitas, despesas e investimentos. Por isso, é necessário identificar o que efetivamente foi resultado da gestão municipal e o que decorreu de fatores externos.
O mesmo vale para recursos estaduais e federais: é preciso saber de onde vieram, para que foram destinados, quando foram repassados e quem participou de sua obtenção.
Isso não diminui o trabalho de ninguém. Apenas permite analisar os fatos com honestidade.
Obra pública não nasce na inauguração
As respostas podem contar uma história muito diferente daquela apresentada em um palanque ou nas redes sociais.
O eleitor fez sua parte
Nas eleições de 2026, Verdi foi o candidato a deputado estadual mais votado em Varginha, com 25.570 votos, correspondentes a 36,26% dos votos para o cargo no município.
Não escondo minha opinião.
Considero a administração de Verdi Lúcio Melo muito negativa para Varginha e faço uma avaliação pessoal extremamente crítica de sua passagem pela Prefeitura.
Quanto do que foi apresentado como realização de seu governo já estava encaminhado? Quanto veio de administrações anteriores? Quanto resultou de recursos extraordinários relacionados à pandemia? Quantas obras já estavam contratadas ou em execução quando assumiu?
Da mesma forma, quando se fala em eventuais irregularidades, é fundamental distinguir fiscalização, denúncia, investigação, processo e condenação. Acusação não equivale a condenação.
O próprio Legislativo municipal registra pareceres do Tribunal de Contas relacionados às contas de administrações que envolveram Verdi. Esses documentos devem ser conhecidos por quem pretende formar uma opinião responsável sobre sua passagem pela Prefeitura.
Verdi teve experiência como vice-prefeito, conhecia a cidade e a máquina pública, recebeu obras e projetos em andamento e governou durante um período marcado por recursos extraordinários decorrentes da pandemia.
Considero que o desempenho de Verdi em Varginha ficou aquém do que poderia ser esperado diante da intensa campanha que promoveu nas redes sociais e da imagem construída de que teria sido o melhor prefeito da história recente da cidade.
Essa afirmação é naturalmente sujeita à contestação e desconsidera o trabalho realizado por outros prefeitos.
Verdi obteve cerca de 36% dos votos para deputado estadual em Varginha. Mesmo considerando sua condição de ex-prefeito recente e a estrutura política construída ao longo dos anos, o resultado merece reflexão.
É preciso considerar também os votos brancos e nulos e, principalmente, a parcela do eleitorado que decidiu não votar nele.
É possível que parte dessa rejeição esteja relacionada a questões que marcaram sua administração.
Entre elas estão as críticas envolvendo o planejamento do Mercado do Produtor e o Velório Municipal, assuntos que foram objeto de uma Comissão Especial de Inquérito na Câmara, além de outros procedimentos e processos ainda em andamento.
Também merece atenção a inauguração de obras antes de sua efetiva conclusão.
Há ainda questões que permanecem no imaginário da população, como a instalação de uma loja no meio da rotatória do antigo mercado e o projeto das chamadas câmeras inteligentes, cuja implantação também foi alvo de questionamentos relacionados aos custos e à execução.
É importante deixar claro: questionamentos não equivalem automaticamente à comprovação de irregularidades. Mas questionamentos legítimos precisam ser esclarecidos.
Talvez esses episódios tenham contribuído para que parte do eleitorado mais informado decidisse não entregar seu voto ao candidato.
E os demais candidatos?
Também é necessário reconhecer que Diego Andrade e Dimas Fabiano tiveram votação menor do que poderiam esperar.
Isso não significa que sejam maus deputados. Ao contrário. Ambos receberam apoio em Varginha e já fizeram muito pela cidade – e disso sou testemunha.
Mas eleições são avaliações políticas, e o eleitor considera diversos fatores.
O desempenho dos dois na Câmara Federal, especialmente diante de seus posicionamentos em votações importantes e da proximidade com o governo Lula em parte significativa das pautas, pode ter influenciado negativamente seus resultados em uma cidade cujo eleitorado demonstrou, nas últimas eleições, forte resistência ao campo político de esquerda.
O resultado do Professor Clayton também merece ser observado sob essa perspectiva.
Se até mesmo um candidato conhecido na cidade não conseguiu superar a resistência de parte significativa do eleitorado, fica evidente que o ambiente político de Varginha mudou.
Ficam as obras, os números, os contratos, os documentos, as decisões, os resultados e, principalmente, as lembranças daqueles que viveram a cidade durante cada administração.
Eu já fiz minha avaliação sobre o governo Verdi.
Considero sua administração extremamente negativa para Varginha e considero especialmente desleal com seu sucessor a inauguração de grandes obras antes de sua efetiva conclusão.
E talvez essa seja a principal lição deixada pelas últimas eleições: do auge de sua aprovação ao deixar a Prefeitura até sua derrocada atual, Verdi provou que cair de maduro também é uma arte – um caso clássico para a ficção científica política.
Luiz Fernando Alfredo
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Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.


























