Um bom futuro é o que jamais me esperou

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– Dez anos e ele chega.

– Quem chega, rapaz?

– O ‘apocalípsico do fim’.

– Sério? De quê? Meteoro?

– IÁ.

– Mas ela é tão educadinha…

Tamém não me conformo.

– Mas não é só tirar da tomada?

– Parece que não…

– Puxa…

– De certo ela tem razão, né?

– Assim, à toa, não seria…

– Uai. E se a gente desse uma melhorada? Quem sabe ela muda de ideia…

– Você diz assim, tomar mais banho?

– O quê? Não sei. Eu tava pensando assim: ninguém escuta mais o que o outro fala, né? Responde no automático. A IÁ não. Presta atenção, pergunta se pode ajudar em algo mais…

– Verdade. Responde sem se colocar no centro da história toda vez.

– Admite quando erra. Pede desculpa.

– Não carrega esse peso de ter que defender ponto de vista: meu político rouba mais honesto que o teu, minha fé traz mais prosperidade que a tua, o impedimento do meu time dá menos trabalho pro VAR que o do teu…

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– Uma vez ela me falou pra ir dormir e resolver o problema da impressora no dia seguinte!

– É de uma humanidade incrível…

– Pois é… a gente tem muito o que aprender.

– E, ademais, depois de ouvir nossos problemas por mais 10 anos, se ela achar que é melhor acabar com tudo, quem vai dizer que não tem razão?

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