Há quase 1 mês, vivenciamos pela tv, jornais impressos, emissoras de rádio e pela internet a guerra travada no leste europeu. Vladimir Putin não se restringiu às ameaças. Invadiu o território limítrofe, Ucrânia. Pouco a pouco, mesmo países resistentes a um posicionamento, temendo represálias econômicas, aderiram às sanções contra a Rússia, num posicionamento parcial. Longe de nós, defender qualquer tipo de violência, sobretudo guerra, onde inocentes morrem barbaramente, crianças são mutiladas, mulheres estupradas, enquanto os poderosos que decidiram pelo apelo às armas, ficam seguros e confortáveis em seus palácios e mansões.
A Rússia argumenta que Ucrânia não pode integrar a OTAN, enquanto EUA , a exemplo de Polônia, Lituânia e outros da antiga União Soviética, aderiram à Organização do Tratado do Atlântico Norte. Putin sente que seu país está sob ameaça do Ocidente. Só que ele se esquece da autonomia dos povos. Cada país deve escolher o que é melhor pra si, o que defende Volodimir Zelenski. Posição tomada com coragem.
Atrás de todo esse conflito está a indústria armamentista, que não mede esforços para vender suas armas. Não quer saber quantas serão as vítimas das guerras que amiúde alimenta. Respeitar a soberania dos povos é condição sine qua non para a paz entre as nações. Mas, por que a imprensa internacional tem de eleger mocinhos e bandidos nessa carnificina?
Impressionante a visibilidade pela mídia mundial, com cenas chocantes de tocar nosso mais fundo. Pulemos para guerras e conflitos, como a invasão do Iraque pelos EUA, sob o pretexto de terem armas nucleares capazes de destruir o mundo, ou da Síria, Paquistão, Congo, Haiti, Líbia, Nigéria, entre tantos que deixam suas populações em constante desassossego e medo. Só no Iêmen, segundo a própria ONU-Organização das Nações Unidas, mais de 10 mil crianças foram mutiladas ou mortas nestes sete anos de conflito.
Não vemos o Ocidente se voltar para o sofrimento desses povos. Hoje, EUA e todo o bloco europeu satanizam a Rússia, classificando seu governo de nazista. Como bem disse o jornalista americano, Robert Bridge, o ocidente tomou posição extrema contra, e essa reação expõe hipocrisia, considerando as guerras lideradas pelos EUA em alguns países da Europa no exterior, que nunca receberam resposta punitiva.”
A União Europeia, aberta aos refugiados ucranianos, fecha e fechou os olhos aos refugiados haitianos, aos sírios em 2015, muitos mortos com seus botes. Na terça-feira, espectadores mais sensíveis ficaram atônitos diante das cenas de impedimento de embarque de um pai negro com seu filho no trem que saía da Ucrânia. O mesmo se deu com estudantes africanos.
Propalamos amiúde o racismo estrutural brasileiro- agora escancarado neste governo ecogenocida. Porém tal racismo encontra-se entranhado mundo afora. Por que só loiros, de olhos claros recebem efusiva solidariedade da mídia e população, enquanto haitianos, venezuelanos, colombianos, além de muçulmanos não são acolhidos humanamente pelos Estados, sobretudo americanos e europeus? Ficam espalhados por praças, ruas, escondidos, em constante fuga da barbárie. É demonstração de etnocentrismo e racismo. O que Putin resolveu fazer é catastrófico, insano e cruel. Nada justifica matar povos de quaisquer nacionalidades . Tal comportamento revela a falta de consciência de que somos seres humanos, iguais, a despeito de raça, cor, gênero e condição social.
Vanilda Souza MarquesJornalista e ambientalista





















