Todo dia deveria ser da Terra ou ouçamos o grito da Terra

Acabou? Ainda não!
Vanilda Souza

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“Tudo o que acontecer à Terra, recairá sobre os filhos da Terra”(chefe indígena em 1856)

     Gosto de  abrir meus artigos com essa frase, que mostra a sabedoria dos povos originários. Acompanhamos dia a dia a temperatura na casa dos 35, 37 graus. A pergunta é: está normal nesta época do ano “fritarmos”nosso cérebro sob o sol escaldante?  Irmos na feira e não encontrarmos a mais elementar verdura-como couve, por exemplo-  por ter chovido demais ou pela seca que queimou a plantação? Mesmo diante deste quadro desalentador, continuamos nosso processo célere de destruiçao do nosso planeta azul. Dia 15 último foi dedicado ao solo e em 22, comemorou-se -se há o que comemorar o Dia Internacional da Terra.  Devemos aproveitar o mês de abril para repensarmos nosso comportamento com aquela que nos gestou e de onde tiramos a vida, o alimento, a água e o ar que respiramos.

    O grande pacifista Henry D. Thoreau disse que quanto mais dinheiro, menos virtude. Verdade, pois agrotóxicos, pesticidas, fertilizantes e inseticidades permeiam nossos campos, contaminando solos, lençóis freáticos e nascentes. Somos envenenados cotidianamente. Florestas dão lugar à soja, algodão, extração ilegal de madeira e criação de gado. Como evitar a catástrofe que se nos anuncia?  No Brasil, a Amazônia é responsável por 60% das chuvas no norte, centro oeste, sul e sudeste. O seu desmatamento vem provocando secas contínuas. Pelo jeito o atual desgoverno quer, não apenas dizimar nossos indígenas, como acabar com a Amazônia. Nossos solos e florestas precisam ser cuidados.

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    O aquecimento global foi provocado pelo homem, nos lembra James Lovelock, um dos maiores cientistas ambientais, em razão disso corremos o risco de ser extintos. Até 2100, diz, 80% das espécies da humanidade desaparecerão. Dados do IPCC-Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas alerta que 60% do fornecimento de água e de peixes está em franco declínio. As epidemias e doenças viróticas se alastram(aqui mesmo, vemos o H1N1, a dengue, chicungunya, zica e tantas outras). O  vírus da Covid atingiu o mundo todo. As mudanças climáticas redundarão em muitas perdas econômicas e de vida. Em 2025, prevê-se que cerca de 4 bilhões de pessoas terão fome, pois a produção agrícola não acompanha as bruscas e fortes mudanças climáticas.

     Sempre gosto de lembrar, pois nos dá um clique, que o homem vem de um processo de civilização de 4.000 anos e, em apenas, 200 anos de industrialização conseguiu degradar e destruir por 3.800 anos. Absurdo, não acham? Onde  chegaremos com tanta ganância e desperdício?  Martin Luther King, sabiamente falou: “O que me assusta não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos bons.”      Não podemos nos calar, sobretudo porque nossa sobrevivência está em perigo. A Terra vem gritando por socorro por mais de 50 anos e continuamos indiferentes ao seu pedido. Assim, o planeta poderá nos expulsar daqui, visto não precisar de nós.

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    Cobremos das autoridades, mas façamos também nossa parte com medidas simples tais como: plantar árvores, diminuir o consumo excessivo de bens estimulado pela mídia, optar por papelão ao invés de isopor, usar a água com parcimônia, evitar lavar calçadas e carros, não atirar lixo nas ruas e bueiros, reciclar, reaproveitar alimentos, vestuário e sapatos. O que não nos serve pode ser útil a outrem mais carente. Buscar usar sacola reutilizável, visto que a plástica leva 100 anos para degradar no meio ambiente e polui solo e nascentes.  Enfim, repensarmos o consumo desbragado que só destrói nossa Casa Maior, a Terra. Tornou-se imprescindível  fazermos as pazes com ela já, ou as consequências serão incontroláveis para nós.

Vanilda Marques
Jornalista e ambientalista

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