Um Beatle húngaro?

#FlashbackFriday: A Sinfonia da Vida
Edição: Blog do Madeira

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Não me lembro o nome do filme. Eu era criança e assisti com minha mãe, em uma dessas reprises que passa na televisão. O fato é que fiquei boquiaberto com a histeria do público para com o famoso quarteto de Liverpool, os Beatles. Histeria confirmada por minha mãe, que vivenciou aquilo tudo.

Mais tarde, tomei conhecimento de um termo que nomeava essa histeria: “Beatlemania”, criado no início da década de 1960. Seria esse termo a verbalização de um fenômeno sem precedentes?

Posso surpreender o leitor ao dizer que no século XIX também havia um artista que causava semelhante frenesi no público: o pianista húngaro Franz Liszt. Se a “Beatlemania” parece um termo genuíno, informo que o poeta Heinrich Heine nomeou o frenesi em torno de Liszt como “Lisztomania” em 1844!

Essa famosa caricatura de 1842 nos aponta um pouco do que seria essa loucura pelo pianista: mulheres se debruçavam, usavam sua imagem em camafeus e broches, pegavam as cordas do piano para usar como braceletes. Liszt foi o maior pianista de sua época, um verdadeiro pop star, símbolo e síntese do triunfo que um instrumentista virtuose poderia ter, e consequentemente arrastava uma multidão para seus recitais. Aliás, ele mesmo criou esse termo, “Recital”.

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Dizem os relatos que Liszt alimentava essa aura de pop star, sendo um dos primeiros a tocar de cor (seria para olhar as damas na plateia?), mudou o ângulo do piano, além de colocar 2 instrumentos no palco (para andar de um ao outro, atraindo os olhares para sua figura), além de outros artifícios de mise en scène.

Nascido na Hungria (1811) e falecido na Alemanha (1886), essa grande figura da história da música, idolatrado pelas mulheres (e repleto de casos amorosos!) compôs, além de obras para piano, muita música para orquestra, sendo um nome fortemente vinculado ao que conhecemos como “poema sinfônico” (uma obra que ilustra, através da música, uma outra obra de arte, como, por exemplo, um texto literário). Cultivou o meio literário e valorizou o ideal de artista, como na vez que chegou em um hotel e escreveu no registro de entrada que sua profissão seria músico-filósofo e que estava em trânsito entre a Dúvida e a Verdade.

Esse foi Liszt, o maior virtuose do piano, artista romântico por excelência, auge da figura do intérprete virtuose, encantador, capaz de compor obras de extremos virtuosismo (como o estudo transcendental número 8) e incrivelmente sonhadoras (como a Consolação n.3).

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Convido o leitor a conhecer essas obras de um verdadeiro pop star da música clássica!

Resposta de 0

  1. Cara, incrível, incrível. Muito interessante seu gancho dos Beatles pro piano de Liszit.
    Os toquezinhos de como ele trocava de piano no palco, os braceletes das fãs.
    Parabéns!
    Abração

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