Celebrando Mozart

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Na última segunda-feira, dia 27, um dos maiores gênios da arte ocidental teria soprado 270 velinhas: Wolfgang Amadeus Mozart. Um dos nomes mais fascinantes da história da música ocidental, Mozart morreu muito jovem, aos 35 anos, deixando uma produção impressionante: 626 obras catalogadas, que abrangem praticamente todos os gêneros musicais de sua época (concertos, sonatas, sinfonias, óperas, dentre outros).
Além da música sublime, Mozart nos deixou um extenso conjunto de cartas, nas quais encontramos desde brincadeiras infantis e paixões intensas até reclamações, angústias e súplicas por empréstimos financeiros. Curiosamente, apesar dessa abundância de informações, sua personalidade e sua vida continuam envoltas em mistério. Autores como Norbert Elias, Stanley Sadie, H. C. Robbins Landon, entre outros especialistas, debruçaram seus estudos sobre esse gênio. Não por acaso, um dos livros de referência sobre o compositor se intitula “Procurar Mozart”.
Nascido em 1756, em Salzburgo, e falecido em 1791, em Viena, Mozart viveu durante um período de profundas transformações na vida social de um compositor. Embora os músicos dependessem de um emprego na corte ou na Igreja, ele foi um dos primeiros grandes nomes da história a tentar viver como músico independente, enfrentando a instabilidade que isso implicava. Também vale lembrar que Mozart viveu em um momento político delicado, marcado por mudanças radicais na Europa, onde a Revolução Francesa simboliza bem esse novo mundo em formação.
Porém, a música de Mozart parece nos transportar para outro universo. Muitas vezes, especialmente em seus movimentos lentos, somos conduzidos à contemplação do belo. Ainda que tenha vivido em uma época em que a música, de forma geral, refletia ideais iluministas — como a razão, o equilíbrio e a clareza formal —, as composições de Mozart se destacam em relação a seus contemporâneos, muitas vezes mais regulares e previsíveis em sua linguagem sonora.
Como exercício de escuta comparativa, vale ouvir alguma composição de Hoffmeister ou Vanhal e, em seguida, uma das obras de Mozart listadas ao final do texto.
Segue uma breve lista de encantadoras obras de Mozart. Vocês poderão perceber que, talvez, acima de todas as perguntas e dúvidas que pairam sobre sua vida e sua personalidade, sua própria música pode nos oferecer a melhor resposta: sua beleza transpõe as indagações.
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Obras sugeridas:
• Laudate Dominum, K. 339
Movimento do Vesperae solennes de confessore. Música de grande serenidade, com uma linha vocal simples e comovente. Um dos exemplos em que Mozart, com poucos instrumentos, produz uma obra tão simples e profunda.
• Exsultate, jubilate, K. 165
Moteto (composição vocal sacra) virtuoso e luminoso, que combina alegria, leveza e lirismo.
• Concerto para Flauta e Harpa em dó maior – II movimento (Andantino), K. 299
Um diálogo elegante e contemplativo entre os dois solistas, uma das composições mais belas e refinadas do gênio.
• Concerto para Piano nº 21 em dó maior – II movimento (Andante), K. 467
Um dos movimentos lentos mais célebres de Mozart: melodia simples e encantadora.
• Concerto para Clarineta – II movimento (Adagio), K. 622
Uma das páginas mais belas já escritas, procure escutar ao pôr do sol. Deixo a interpretação maravilhosa do meu amigo Tiago Naguel, principal clarinetista da Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo, sob a regência de Roberto Minczuck.

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