Nos aproximamos de mais um final de ano. É o encerramento de um ciclo, tempo de reflexões, de planejamentos.
Mais uma vez, me recordo de algumas experiências em que a música contribuiu para a sociedade. Com o grupo de choro Brasileirinhos, realizamos ações em escolas municipais de Varginha — uma experiência indescritível. Crianças que, ao entrarem em contato com a preciosidade do chorinho brasileiro, exibiam brilho nos olhos. O carinho, a interação, as perguntas após as apresentações… experiências humanas entrelaçadas pela música.
Igualmente marcantes, penso em grupos de idosos em estágios avançados de Alzheimer que, ao ouvirem músicas guardadas na memória, começavam a cantar juntos; pacientes em tratamento hospitalar que encontravam, mesmo que por instantes, alívio da dor através dos sons; pessoas que chegam a um concerto carregando problemas e, pouco a pouco, sentem a “poeira baixar”, encontrando uma paz que as ajuda a atravessar seus desafios.
São algumas situações em que a música se mostra um verdadeiro bálsamo para a alma.
É esse o convite que te faço: permita-se contemplar a beleza da música, mesmo que por um instante. Experimente ouvir músicas instrumentais, deixando que apenas os sons falem por si. Comece pelas mais conhecidas, os “hits” da música clássica.
Pare um momento. Observe sua respiração. Afaste-se, ainda que brevemente, das demandas do cotidiano e concentre-se apenas nos sons. Escute o Noturno op. 9, nº 2, de Chopin, ou o Clair de lune, de Debussy, e perceba a delicadeza das melodias.
Contemple o embalo sonoro de Jesus, Alegria dos Homens, de Bach — não parece um fluxo contínuo, como ondas?
Sinta a inebriante, quase hipnótica melodia do primeiro movimento da Sonata ao Luar, de Beethoven,
Ou a beleza do tema de O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky. Talvez você perceba que a música traz paz à sua alma.
Goethe já dizia: “Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas”.
A título de curiosidade, os efeitos da música sobre o ser humano são observados desde a Antiguidade. Há um relato bastante difundido sobre a Grécia Antiga, em que jovens embriagados, influenciados por determinada melodia, tentavam invadir a casa de uma mulher respeitável. Pitágoras, ao perceber a situação, orientou o flautista a executar outro tipo de melodia. Ao ouvi-la, os jovens teriam mudado de atitude, tornando-se mais respeitosos.
O exemplo é ilustrativo. Mas deixo a sugestão: deem um voto de confiança à beleza da música. Ela pode transformar mais do que imaginamos.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.


























