Na rua ele te vê, de longe, depois de muito tempo, e, em vez do “como vai você?”, ele diz:
– Guilherme, quanto tempo!… tá trabalhando onde?
– Ahn… ah, tô só fazendo uns bicos mesmo. E, você, como é que tá?
– Auxiliar de produção! Mas o supervisor disse que logo, logo eu já viro grau dois…
– E a Lucinha, faz tempo que não vejo… casou?
– A Lucinha tá bem, tá trabalhando no banco. Gerente. Passou no concurso. Você não ia fazer também aquele concurso?
– Pois é, não deu… Rapaz, olha só!… mas parece de revista aquela moreninha…
– Ah, é a Maria Amélia. Atendente ali na padaria do Agenor. Dizem que é ruim de serviço… Mas falando do concurso, fiquei sabendo que vai ter outro. Parece que as inscrições já abriram…
– Falô… Mas o que cê tá fazendo aqui na praça numa hora dessas?
– Dia de folga. Trabalho seis, folgo um. Preferia quando era 12 por 36. Mas, pelo menos, o salário é bom. Superior ao do mercado. Fora os benefícios, claro. Mas o sindicato tá brigando por mais! Sabe como é, né? Tá chegando a data–base…
– Beleza… mas eu tenho que ir indo, Gilberto. Bom vê você de novo.
– Para que a pressa? Não tem que bater o ponto mesmo… Sabe Guilherme, sempre que eu te vejo eu lembro daquela vez que você me passou a resposta na prova de física. Não esqueço nunca… A professora quase pegou, lembra?
– Pura adrenalina… mas eu tenho que chegar ali adiante, cara…
– Tá indo pr’aquele lado? Coincidência. Eu também. Tô indo ali visitar a Goreti. Tá desempregada coitada…




























