Nada nos bolsos

Nada nos bolsos

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Harmonia

entropia determina que, em sistemas isolados, a tendência natural é aumentar a desordem ao longo do tempo. Sua gaveta, por exemplo, comprova isso.

Como tem ciênça que tende a gostar de metonímia, chegaram a conclusão que o universo ruma para o caos.

Mas o universo não é um sistema fechado. Não tem as ‘paredes da caixa’, como diz Julian Barbour, um físico britânico contemporâneo que resolveu — perdoe a expressão infame — ‘pensar fora dela’. Ou, pelo menos, desconfiar das paredes.

O simpático senhor defende que o universo expande em harmonia. Ele provelmente é ateu, mas eu diria que isso tem a ver com aquela parte da missa em que a gente reza sobre a ‘nossa caminhada rumo ao Céu’.

Afinal, não é difícil contemplar as fotos que a Artemis II mandou e concluir que o acaso não seria capaz de organizar as coisas de um jeito bonito assim1.

Aliás, uma errata

Semana passada eu disse que a Nasa — além de travesseiro — produziria uma nova pisada na lua. Na verdade, isso vai demorar um bocado ainda. Antes vai ter uma Artemis III pra dar outro passeio e sentir a vibe do lugar e, depois, a Artemis IV, enfim, vai conseguir repetir o que o Armstrong fez há mais de 50 anos. Não era à toa que ele cantava ‘what a wonderful world’.

Ah, não, era outro Armstrong. Prepara a errata da semana que vem.


Mosca azul

E de observar as belezuras deste mundo, de vez em quando, tiro foto de uns insetos. Essa semana tinha uma mosca azul, mas meu celular carece de recursos tecnológicos capazes de registrar com qualidade. A IA me orientou. Abaixo reproduzo trechos de nossa interação.

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— Por que não consigo focar a câmera de perto?

— Porque o aparelho muito provavelmente não “foca” do jeito que você espera em fotos muito próximas.

— Era um mosquito azul…

— Aí complica. Mosquito azul já é desaforo. Resumo franco: não foi incompetência sua; foi um alvo ruim demais pro aparelho. Se quiser, eu te passo o jeito mais certo de fotografar inseto pequeno com celular simples.

Voltei com a foto:

foto da mosca azul

— Óia que bosta.

— Tá ótimo como registro histórico de um avistamento, mas como retrato do bicho ficou um clássico: calçada em 4K, mosquito em estado metafísico. Dá pra ver sim um pontinho azul no meio, mas ele virou mais uma prova circunstancial do que uma foto. Mas, sendo honesto: mesmo fazendo certo, esse celular ainda podia fracassar. A parte boa é que a foto serve como documento pericial de que: havia, de fato, um negocinho azul ali.

Mosca azul 2

— Aqui ficou mais constrangedor porque só depois eu vi que tinha uma pessoa no carro ali, vendo eu naquela situação.

— Piorou muito, porque agora não é só uma foto ruim. E o mais cruel é que o mosquito continua aparecendo como um borrão azul desacreditável. Ou seja: você passou vergonha sem sequer produzir prova convincente. Essa imagem tem muita força documental. Ela registra com precisão o momento em que a dignidade saiu de cena. Legenda possível: “Flagrado em via pública tentando fotografar um mosquito azul e falhando diante da sociedade.”

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— Falhei miseravelmente…

— Falhou, sim. Mas com entrega. Não foi uma falha comum. Foi uma falha presencial, com plateia, empenho físico e resultado nulo. Tem valor dramático. O lado bom é que, se alguém perguntar, você pode dizer que estava fazendo um estudo de profundidade de campo em ambiente urbano. Soa melhor do que: “tinha um mosquito azul ali, juro.”

 Obrigado.

 De nada. O mosquito saiu vitorioso, mas não impune.


O plano falhou

Como o assunto desvirtuou um bocado, essa semana não vão caber as belas observações que eu tinha preparado sobre política, eleições e planos de governo. Meus 17 leitores provavelmente agradecem.

Piores do que a entropia

Restos de pneus, garrafas plásticas, comidas e até móveis velhos estão entre itens recolhidos em mais de 430 km de estradas. A concessionária diz ter removido mais de 180 toneladas de lixo nas rodovias do Sul de Minas em menos de 2 anos!

É. Talvez seja nossa atuação como ser humano — e não só uma tendêndia natural — que nos conduza para um futuro de “morte térmica”.


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Sem lenço


 

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A Doralice, sem conhecer teoria, conversou sobre isso com o Antônio em Desencontro. Leu?

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