Elas não querem te escutar
Já enfrentou a dificuldade que é entrar em contato com uma grande empresa?
Tem FAQ. Tem bot. Tem formulário de 1 a 10.
Quando tem um e-mail de contato é tão genérico que cai em alguma caixa que ninguém lê. Espaço pra comentário até tem, mas funciona mais ou menos como um “tá, Cláudia, fala aqui com a minha mão”. Quem se importa?
Agora, já se perguntou: por quê? Tenho a leve desconfiança que é porque o povo é chato pra ca&*¨%$lho mesmo.
Muita boca e pouco ouvido
A verdade é essa: a gente tem ficado insuportável. Na era da comunicação instantânea, fecharam-se as portas e janelas para a conversa. No mundo online – principalmente – assim como aqui nesta coluna, no Substack ou em qualquer rede social há uma espaço aberto e democrático onde cada um faz sua sessão de descarrego, consolando sua insignificância.
Os comentários, entretanto, não são parte de um diálogo, mas apenas o lugar onde os outros despejam suas iluminescências próprias. As portas e janelas permanecem fechadas e sobrou só uma corneta virada pro lado de fora.
ECA Digital
Decreto proíbe o scroll infinito e a reprodução automática de vídeos, o famoso autoplay. Quem sabe isso pode dar uma chance para o Wellington, finalmente, dar um descanso. Ele que está rolando a tela ininterruptamente desde 24 de outubro. De 2022.
Ciênça: as massas e as maçãs
Um estudo com 1.114 pessoas observou queda média de 3,7% na gordura visceral a cada 10g de fibra solúvel na dieta.
Exercitando uma regra de três básica: só 270 maçãs te separam de uma barriga 100% chapada.
Dé’real a entrega
Fake News nem sempre é por maldade. Nem de boa intenção daquelas que o inferno está cheio. Às vezes é só burrice mesmo. Sujeito não interpreta o texto direito, despeja a iluminescência na rede e a revorta viraliza.
Veja essa: “governo propôs taxar entregadores de aplicativo em R$ 10 por corrida”. Tinha sido usado o termo “taxa mínima” para falar do valor da entrega. Ligadão assimilou: “taxa = imposto, carai.” E deu-se no que deu.
Realismo
Uma empresa de tecnologia anunciou um avanço que amplia o fotorrealismo dos jogos de videogame, através da IA.
Uma conceituada equipe de análise técnica de jogos publicou elogios à ferramenta antes de saber a opinião da “comunidade” que, por sua vez, achou tanto realismo muito artificial.
A notícia é que a renomada equipe de análise técnica tem recebido ameaças de morte desde então.
É este o cenário atual dos que habitam este planeta.
Gente como a gente
Por falar em realidade, dia desses, viralizou o vídeo da mãe de um jogador de futebol assistindo ao jogo, proferindo ofensas pessoais a um companheiro de equipe do filho. Ele não atendia às expectativas dela. Entre outras coisas, o chamou de “podre” e “nojento”. Recebeu elogios da “comunidade” por ser uma torcedora de verdade.
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Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.



























