cotidiano

Essa moça tá diferente

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– A Gilda, Adalberto! A Gilda!

– Que fez a menina, Clotilde?

– A Gilda sumiu… Não acho a menina em lugar nenhum!

– Liga pra ela!

– Ela nunca me atende.

– Já ligou pra ela?!

– Tô ligando… Aí, ela não me atende!

– Vai ver foi na padaria…

– A Gilda? Na padaria? Cê num conhece tua filha, Adalberto?

– …

– Valha-Deus, Nossa Sen…

– Quando foi a última vez que viu ela?

– Como assim? Virou polícia agora? Vai me interrogar?

– Clotilde, só pensa… Ela não te disse nada?

– Disse. Na hora do almoço falou assim: ‘Ô, mãe, frango de novo?’. Pegou a bolacha recheada e foi pro quarto.

– E você já procurou ela lá?

– Não, Adalberto! Eu resolvi vir falar que ela sumiu assim do nada. Só pra te chatear…

– A Gilda não é dessas coisas…

– E de que coisas ela é?

– É-é… Eu sei lá, Clotilde! Você que devia…

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– Eu devia tudo e o senhor só Netflix aí….

– É Prime…

– O quê?

– Prime Video. Não é Netflix…

– É sério?

– Não, Clotilde. É filme. Mas o que esse drama tem a ver?

– Sua filha sumiu, Adalberto!

– E a senhora acha que eu devia ser o Liam Neeson?

– Lai-o-quê?

– Aquele que bate em todo mundo pra procurar…

– É sério, Adalberto???

– É filme! Já falei. E que importa isso agora, mulher? Tua filha não sumiu?

– Quem sumiu, mãe?

– A Gil… Gilda? Onde cê tava menina?

– No banheiro, uai…

– Mistério solucionado, Dona Clotilde!

– Que mistério? Cês vão assistir série juntos?

– É filme.

– E a mãe nem fez pipoca?

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