Sem livros e sem fuzil

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A felicidade mora longe

A verdade é essa: a Finlândia é o país mais feliz do mundo. E o Brasil fica fora dos 30 mais. Aí, claro, você vai torcer o narigão e resmungar: “mas também, dinheiro, dinheiro”.

Rapaz, o Brasil, tropicalzão, de carnaval, samba e moça bonita não podia ficar fora do top 5! E o problema não é dinheiro e eu te mostro:

O café, por exemplo

Em alta, receita de exportação batendo recorde — ferrando nosso cafezinho de todo dia, inclusive — aí chega o ‘agro é tudo’ no camionetão: “Podia tá melhor. Precisa ver meus custo.”

No passeio

Mineirinho em Batuba, cerveja gelada, camarão no espeto: “ Cabo’fri é que é bom”. Em Cabo Frio, o outro: “precisa conhecer Porto de Galinha”. E em Porto de Galinha: “bom mesmo foi quando estive em Cancún”.

No carnaval

Carnaval de verdade foi 2011: ‘vô não, quero não, posso não…’.

No futebol

Um time ganha a liga nacional e a copa continental num mesmo ano! Dois meses depois perde uma recopazinha de dois jogos e pronto: treinador não serve mais.


Com um T bem grande

ciença da semana, todavia, ensinou que o tédio é importante pra saúde mental. E a gente aí, pra silenciar as culpa, fica ocupado com o celular o tempo todo, sem descanso, sem uma brechazinha pro tédio salvador.

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(A Finlândia, vejam só, é um país muito mais avançado. Têm até diminuído o uso de tecnologia para melhorar o desempenho das crianças na escola.)


Fi’di’back

Ele só é lembrado pra ouvir: “tomamo gol por culpa do teu pai”.
(Se você entendeu, desculpa. Caso não, só segue em frente)

O fato é que o único retorno que eu tive sobre meus textos nos últimos anos foi: “ele parou de te ler porque você fala sobre política”.

Diminuí, abrandei, mas não consigo evitar sempre. Aí fiz pesquisa semana passada sobre quais temas os 17 leitores preferem aqui. Duas respostas. Uma deve ser do Nando, sem surpresa, optando por “artes e cultura”. A outra – pasmo eu – política. Como assim?

E qual é o plano?

A carne nunca foi tão cara. Ficamos sem picanha. Restam 3 opções. O filho do presidiário e o ‘leva, leva essa bandeira’ têm um único plano simples: libertar o patriarca. Basta. Afinal, livre, o homem vai poder fazer tudo o que sempre fez em seus muitos anos de vida pública, que foi… foi… Bem talvez ele não seja de ação. Talvez seja de ideias. Livre, o homem vai poder… Ah, deixa pra lá.

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E a terceira opção?

O ex-governador de Minas é mais ousado. Pelo que vi, anda flertando com ideias do Milei, na Argentina… Detalhe que lá a carne bovina tá o dobro do preço daqui. E já apareceu até reportagem com carne de burro por lá.

Mas eles têm o Messi

E ainda são os campeões da última Copa. Dava até pra imaginar uma posição honrosa no ranking de felicidade, mas estão fora do top 40.

(Pelo jeito, Copa do Mundo não é um dos critérios usados na pesquisa. A Finlândia nem vai gastar preocupação com isso esse ano.)

Alguma outra ideia?

Ignorar completamente o noticiário. Parece interessante. A gente larga o celular, aproveita o outono aqui pra acordar cedinho e dizer que nem o Finlandês:

– “Kiva viileä sää, vai mitä?”

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