Nas últimas semanas, as redes sociais e a imprensa têm mostrado o tratamento dado às pessoas com autismo e às suas famílias. São mães denunciando negligência no atendimento prioritário, estudantes autistas sendo contidos ou agredidos ou ficado na invisibilidade nas escolas, atendimento desrespeitoso no comércio, falta de empatia e cuidado na organização de eventos. São situações cada vez mais frequentes, que revelam o despreparo da sociedade para acolher e reconhecer este público como consumidores, como pessoas com preferências e direitos de serem corretamente atendidos em suas necessidades e especificidades.
Tem faltado muita sensibilidade no trato às famílias já tão fragilizadas com o descaso e o preconceito com seus filhos autistas, TDAH, com deficiências e síndromes.
O final da história é sempre o mesmo: um vídeo colocado nas redes sociais denunciando a exclusão de seu filho. Erradas, as mães que denunciam, não estão. Às vezes é a gota d’água de anos de muito sofrimento.
Bater na tecla dos atos de exclusão e preconceito não leva a nada,só a mais exclusão e execração pública de quem a pratica. Isso acaba por ser desserviço à causa da inclusão. A INCLUSÃO requer sensibilidade e seriedade e coragem para fazer o que é certo para todos que precisam dela. Para fazer INCLUSÃO é preciso considerar a naturalidade das diferenças humanas naqueles que não se encaixam nos padrões de “normalidade”, que funcionam neurologicamente de maneira diferenciada, que possuem deficiências, que aprendem de forma diferente, que não se desenvolveram dentro do “esperado”.
Para fazer INCLUSÃO é preciso uma revolução no comportamento de toda a sociedade. Para uma sociedade ser inclusiva é preciso que cada indivíduo treine o olhar para não enxergar os defeitos, e sim as potencialidades humanas. Treine a mente para tomar atitudes diante das necessidades das pessoas. Treine o coração para acolher as diferenças aceitando o outro como ele é. Mude os seus valores para ser mais que empático, para ser presença e estar a serviço do outro que precisa. Aprenda a reconhecer os símbolos da inclusão como garantias de direitos de todas as pessoas, de estarem nos locais que querem, como querem, como são.
Será que, para sermos uma sociedade inclusiva, cada indivíduo terá que passar pela experiência da dor de uma mãe neuroatípica? Pela fragilidade e necessidade física de uma pessoa com deficiência, nem que seja temporária? Pela perda de algum sentido?
Diz o ditado que aprendemos no amor ou na dor.
Escrito por Edelaine Grande
Especialista em Inclusão, Educação Inclusiva, Consultora e Palestrante em Processos Inclusivos Empresariais e Educacionais pelo Instituto REDE PESQUISAS E PLANEJAMENTO
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Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.



























