O que deu no poste

"Colaborador do blogdomadeira JB Tatu."

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O QUE DEU NO POSTE

Por JB Tatu (*)

Joanildo era um homem forte e de estatura alta, parecia um touro. Não praticante de esportes, atividades físicas, ou com lutas, nada disso. Era sapateiro por profissão, jamais exercia tais atividades. O que Joanildo gostava mesmo era de bancar o jogo do bicho, a seu modo, claro. Fazia de uma maneira diferente dos moldes tradicionais. Não existia milhar, centena, terno ou terno de dezena, era simplesmente fora dos padrões da atualidade. Sua atividade como banqueiro resumia somente os 25 bichos, ou seja: da avestruz à vaca. Pagava sete cruzeiros por um.

Depois de uma charada feita em sua sapataria bem cedinho, colocava no poste do Cruzeiro na praça perto de onde morava, um número correspondente à charada. Toda noite, passava matutando e preparando uma dica relacionada ao bicho, para colocar no topo do poste, o número para as apostas.

Todo dia a mesma rotina. Colocava o número no topo do Cruzeiro e a “charada do dia” fixada na parede da sapataria. Não era pouca gente que apostava. Certa vez colocou a seguinte charada: “de cabeça para baixo anda e come capim”. Foi uma correria tremenda na sapataria, as apostas em cima de vaca, cavalo, burro, carneiro e cabra foram as que mais receberam apostas. Elefante e o touro também foram lembrados.

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No final da tarde, Joanildo estava sorridente, deu a cobra número 9. O pessoal não soube decifrar direito e entenderam o resultado numa boa. O numero 9 é cobra no jogo de bicho. De cabeça para baixo vira 6, que é cabra. O lucro foi enorme naquele dia.

Certa manhã Joanildo foi colocar o número no poste, depois de longa noite pra idealizar a charada. Para isso usava uma escada. Nesse dia esqueceu o peso de ferro que colocava em cima do papel para que o vento não o arrancasse. Alguém que estava à espreita, aproveitando o descuido, subiu a escada e deu uma olhadela no número e desceu rapidamente sem ser visto por ninguém.

Naquele dia foi o pior dia para o banqueiro, todos acertaram o número, pois esse alguém espertalhão já havia contado o número que estava em cima do Cruzeiro. Arrebentaram a banca.

Joanildo, depois desta, nunca mais quis saber de bancar o jogo do bicho, pois levaram até os pares de sapatos que estavam à venda. Ficou quebradinho!

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(*) JB Tatu é pianista de cinema e radialista. Torce para o XV de Piracicaba.

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