O Mercado do Produtor, inaugurado ao final da gestão do ex-prefeito Verdi Lúcio Melo, deveria representar uma conquista para os pequenos produtores rurais e para os consumidores de Varginha. Entretanto, passados os meses, o que se vê é uma estrutura grandiosa, aparentemente superdimensionada para sua finalidade original, sem a utilização esperada e ainda dependente de investimentos adicionais para sua plena conclusão e funcionamento.
A pergunta que muitos cidadãos fazem é simples: quem deve responder por essa situação?
Ao que tudo indica, a atual administração recebeu um empreendimento que não estava plenamente concluído e que exige recursos adicionais para se tornar viável. Se isso for confirmado, é razoável questionar se houve planejamento adequado durante a concepção e execução do projeto. Afinal, obras públicas não devem ser avaliadas apenas pela imponência arquitetônica ou pelo impacto visual de uma inauguração, mas principalmente por sua utilidade, viabilidade econômica e benefício efetivo para a população.
Se o Mercado do Produtor foi concebido para atender pequenos produtores de hortifrutigranjeiros e alimentos, seria natural que seu dimensionamento estivesse compatível com a demanda real. Caso contrário, corre-se o risco de transformar um sonho legítimo em um monumento ao desperdício de recursos públicos.
Nesse contexto, parece precipitado atribuir integralmente ao prefeito Leonardo Ciacci a responsabilidade por um problema cuja origem remonta à gestão anterior. Cabe à administração atual buscar soluções, mas também cabe à sociedade discutir as circunstâncias que levaram à construção de uma obra que, até o momento, não alcançou os objetivos prometidos.
E a Câmara Municipal? Cumprirá seu papel fiscalizador? Haverá audiências públicas, pedidos de esclarecimentos e análise detalhada dos custos, da execução e das projeções que justificaram o investimento? São perguntas legítimas que merecem respostas transparentes.
O contribuinte tem o direito de saber quanto foi gasto, quanto ainda falta investir, quais estudos embasaram o projeto e quais medidas serão adotadas para que a estrutura cumpra sua finalidade social e econômica.
Se houve planejamento adequado, os documentos demonstrarão isso. Se houve equívocos, superdimensionamento ou decisões questionáveis, a população também tem o direito de conhecer a verdade.
Por enquanto, o que muitos enxergam é uma obra de grande porte, cara e sem destinação plenamente definida – um verdadeiro “Elefante Preto” que continua à espera de uma solução concreta.
Em editoriais passados, já aventamos algumas possibilidades, embora apenas no campo das hipóteses, até porque não conhecemos a obra em seu interior. Na ocasião, sugerimos que aquela pujante estrutura pudesse receber outra destinação, considerando que o projeto, ainda quando era apenas uma ideia do então prefeito Verdi Lúcio Melo, parece ter sido concebido sem um planejamento compatível com as reais necessidades dos pequenos produtores.
Talvez o projeto tenha sido pensado muito mais sob o aspecto estético, com vigas robustas, amplas áreas envidraçadas e um conceito arquitetônico moderno. Sem dúvida, trata-se de uma obra ousada para os fins inicialmente imaginados.
Diante disso, considerando que já se comenta sobre uma possível terceirização – alternativa que, convenhamos, dificilmente será atrativa e ainda exigirá novos gastos -, por que não promover uma mudança de finalidade do projeto? Ainda que isso demande investimentos adicionais, seria perfeitamente possível utilizar parte da estrutura, ou até mesmo instalar ali a própria Secretaria Municipal conjuntamente uma policlínica especializada.
Aliás, já ouvimos comentários nesse sentido, cuja origem seria o próprio Gabinete do Prefeito. Se essa informação realmente se confirmar, o prefeito estará de parabéns por dar à obra uma destinação de uso próprio do Município, garantindo uma solução permanente, economicamente mais racional e geograficamente inteligente.
Luiz Fernando Alfredo
Amigo, conselheiro e profissional com mais de 35 anos de atuação em cargos superiores da administração pública, acompanhando de perto os desafios da gestão, da responsabilidade fiscal e da defesa do interesse coletivo.
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Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.




























