Episódio da vida de um artista

Pelés e Messis da música

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Episódio da vida de um artista

Um músico apaixonado por uma famosa atriz. Abalado pelo amor não correspondido, decide escrever uma música autobiográfica onde, para esquecer a decepção amorosa, se refugia nas drogas.

O que muito provavelmente se encaixaria em enredos dos artistas pop da atualidade, na verdade envolveu um dos grandes nomes da música clássica: o francês Hector Berlioz (1803 – 1869).

A música em questão, é a “Sinfonia Fantástica”, um marco na escrita sinfônica, estreada em 1830. Com o subtítulo de “Episódio da vida de um artista”, Berlioz relata sonoramente seu amor não correspondido pela atriz irlandesa Harriet Smithson (curiosamente, vieram a se casar tempos depois).

Essa música tornou-se um marco na História da Música por inaugurar o que pode ser classificado como música programática: a capacidade de contar uma história através de sons.

Berlioz também inova ao adotar a ideia melódica fixa (idée fixe), ou seja, um tema musical que se repete em diferentes formas durante toda a obra.

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A Sinfonia narra os sonhos de um músico que se refugia no ópio, buscando fugir da decepção amorosa vivida.

No último movimento (o alucinante “Sonho de uma noite de Sabá”), já completamente transtornado pelo efeito do entorpecente, sonha que está em um sabá e assiste seu próprio funeral.

No começo desse movimento podemos ouvir o tema do Dies Irae (a partir dos 2:50 minutos do vídeo que acompanha o texto), cantochão medieval. Esse é o mesmo tema que foi usado no suspense “O Iluminado”, de Stephen King.

Berlioz tem importância fundamental na História da Música, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento da orquestra.

Suas ideias envolvendo novas sonoridades, apoiadas em excessos emocionais, resultaram em ampliação dos instrumentos usados na orquestra e da tessitura musical (que pode ser compreendida como a amplitude entre os graves e agudos de uma orquestra).

Também escreveu um importante tratado sobre orquestração (que é a técnica de se escrever para uma orquestra).

Nascido em La Côte Saint-André, França, Berlioz não tinha o apoio da família para ser músico.

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Foi enviado a Paris, para cursar Medicina (profissão do pai).

Certa vez teria desmaiado em uma autópsia, além de que ficava o tempo livre na Ópera de Paris. Como consequência, largou a medicina e ingressou no Conservatório de Paris.

Tal atitude fez com que o mundo, se por um lado perdesse um médico, por outro ganhasse um excelente e excêntrico compositor.

Sugiro, além da “Sinfonia Fantástica”, a audição de algumas de suas obras: “Haroldo na Itália”, “Abertura Carnaval Romano” e o “Requiém”.

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