No último século, a música “popular” alcançou um sucesso mundial, seja alavancada pela difusão de rádios e discos, seja por bandas que transformaram o conceito de consumir música, como os Beatles, Elvis Presley ou Roberto Carlos, aqui no Brasil.
Me chama a atenção de, no meio desse caldeirão de celebridades, alguns nomes alcançarem o sucesso graças a seus instrumentos: é o caso do fantástico Altamiro Carrilho e sua flauta, Kenny G e seu saxofone, Pavarotti e o canto lírico e mesmo nosso quase conterrâneo Nelson Freire e o piano.
Nesse seleto grupo há espaço para o genial Ian Anderson. Esse músico escocês formou, nos psicodélicos anos 60, a banda Jethro Tull. O som deles marcou uma época, e o diferencial era o fato de uma banda de rock usar a flauta como instrumento protagonista. E o que mais chama a atenção é o jeito como Ian Anderson toca a flauta, os sons que ele tira desse instrumento.
A partir do século XIX alguns instrumentos usados na música clássica foram padronizados, mantendo a mesma construção e possibilidades sonoras até hoje. A partir de então, alguns geniais instrumentistas extrapolam a maneira tradicional de tocá-los. É o que chamamos de “técnicas expandidas”. A partir dessas técnicas, novos horizontes se abrem para a execução desses instrumentos.
Foi o que Ian Anderson fez com a flauta. Ao usar sons guturais, tocar e cantar ao mesmo tempo, usar glissandos, slaps e outras técnicas ele expande, de uma forma pioneira, algumas possibilidades sonoras da flauta.
Essas novas técnicas abrem horizontes para novas descobertas. Recentemente o flautista americano Greg Pattilo agregou sons urbanos ao instrumento, desenvolvendo a técnica do beatbox na flauta. No campo da música de concerto, o americano Robert Dick também foi um pioneiro no uso de técnicas expandidas no instrumento.
A flauta, esse maravilhoso instrumento que se aproxima da voz humana, só tem a agradecer!
























