Brasileirinho, Tico-tico no Fubá, Pixinguinha, Carinhoso (“Meu coração, não sei porque, bate feliz, quando te vê…”), Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho…
Não faltam referências para nos aproximar do “chorinho”, essa música tão brasileira! Pois na última quinta-feira, dia 29 de fevereiro, o choro foi declarado, pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como o 53° Patrimônio Cultural Imaterial do país.
Vale dizer que o patrimônio imaterial se refere a conhecimentos culturais que são passados de geração em geração, valores importantes na criação da identidade cultural de uma sociedade, e que, portanto, devem ser preservados.
Roda de viola, de capoeira, de choro… As variadas “rodas” acolhem e inspiram diálogo entre os convidados, na execução de suas habilidades. Roda, essa tradição tão bacana que nos remete à pureza da infância, onde as cirandas de roda, em ritmo de confraternização, unem o canto e a brincadeira.
Uma história brasileira
Segundo o estudioso José Ramos Tinhorão, “o aparecimento do choro, ainda não como gênero musical, mas como forma de tocar, pode ser situado por volta de 1870 e tem sua origem no estilo de interpretação que os músicos populares do Rio de Janeiro imprimiam à execução das polcas, que desde 1844 figuravam como o tipo de música de dança mais apaixonante introduzido no Brasil”.
Já a Editora Choro Music nos lembra que “a primeira referência a esse termo apareceu na década de 1870, quando o flautista Joaquim Callado criou um conjunto chamado Choro Carioca”. Esse gênero tão “choroso” de se tocar, reserva estripulias e malicias ao instrumento solista, acompanhado pela “baixaria” dos violões e a pulsação da percussão.
Dessa forma, o conjunto de choro, chamado de regional, geralmente é formado por um ou mais instrumentos solistas (flauta, cavaquinho, bandolim) com acompanhamento harmônico (violão, violão de sete cordas, cavaquinho, entre outros), reforçado pela segurança rítmica de, geralmente, um pandeiro. Como não há uma rígida especificação quanto aos instrumentos, podemos nos deparar com solos de trombones, trompetes, clarinetas, acordeões entre outros instrumentos (o mesmo se aplica ao acompanhamento).
Nossos “chorões” e “choronas”
Convido o leitor a apreciar cada vez mais esse gênero tão nosso! Há regionais de referência, como o “Época de Ouro”, além de um grupo de nossa cidade, que tenho a alegria de participar: “Brasileirinhos”, com os músicos Leonardo Chalana (cavaquinho e bandolim), Homil Júnior (violão de 7 cordas) e Wilson Silva (percussão).
Eles se apresentam toda noite de quarta-feira, no Pinga com Torresmo. É o ensaio oficial dos músicos. Lugar mais apropriado não há!
Vários “chorões” e “choronas” já passaram e ainda passam por nossa cidade; isso é o legal de manter essa cultura.
O próprio Conservatório incentiva a prática desse gênero. Inclusive, são de lá as minhas primeiras incursões nessa música; na companhia do Renato Jardim, Dinho Batistão, Ricardo Wagner entre tantos outros amigos.
Também me recordo da querida seresta, onde alguns chorões desfilavam seus instrumentos, como o “seu” Weber, “seu” Mozart, Alexandre, Lourival, “seu” Fernando entre tantos outros músicos!
E você, leitor (a), se recorda dos “chorões” de Varginha?
O varginhense Alexandre Braga é músico profissional, flautista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, membro correspondente da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências (AVLAC)

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.




























Uma resposta
Estilo difícil de tocar. Exige tecnica e agilidade. Adoro. Aprendi a tocar chorinho com o violonista Weber Machado e o flautista e bandolinista Renato Fioravante, chorões Varginhense e principalmente Airton Oliveira Maciel mudico trespontano que por 17 anos fez parte do Sambalanço e foi quem trouxe o choro para o nosso repertorrio. Viva o chorinho.