Manual de boas práticas corporativas #7

Sobrevivendo às palestras motivacionais

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As empresas de sucesso precisam manter seus colaboradores convencidos de que estão inseridas em um ambiente digno de gratidão. A gente pode imaginar que teriam grande êxito se fizessem isso repartindo com esses colaboradores o lucro que obtêm através do trabalho deles. Na prática, entretanto, não se sabe bem o porquê, preferem investir seu dinheiro em projetos e palestras motivacionais.

 

 

Você, Adelaide, que não tem nada ver com isso, que supere com sabedoria esses momentos memoráveis do habitat corporativo. O que eu posso fazer é te ajudar a traduzir um conteúdo tão nobre. Porque eloquência é um perigo, né? Quem fala bonito prende mesmo nossa atenção.

 

Mas como saber se o que está sendo falado é realmente importante?

A dica é a seguinte: se o sujeito fala muito complicado sobre uma coisa simples, que provavelmente você já sabia antes, então você está sendo enrolada. Está cheio desses por aí: um monte de palavra difícil para falar o bê-á-bá. Pode até te motivar por um instante, mas no dia seguinte você vai continuar do mesmo tamanho.

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Agora, se o sujeito pega um assunto complicado e te faz entender com palavras simples, aí pode prestar atenção. Ainda que você não chore no final, no dia seguinte vai estar sabendo mais do que sabia antes.

Mas não se iluda, Adelaide. Na grande maioria das vezes, o objetivo é simplesmente lhe dizer para buscar sinergia e ter resiliência. Traduzindo: agradeça e obedeça. E, se todo mundo concordar, a palestra não demora muito. Afinal, ninguém está com agenda vazia por aí, tá?

Às vezes, se der sorte, pode ser que você encontre uma prosa ou outra que vale a pena escutar: te apresentam o óbvio até que você concorde e, em seguida, te mostram um ponto de vista diferente, uma nova maneira de olhar aquela questão. Isso é raro. Mas é bom, Adelaide. Porque olhar diferente faz a gente deixar de ser besta.

 

 

Luiz Gustavo é cronista. Como não conseguiu pagar as contas fazendo isso, trabalha também. Com atividades extras, porque as contas são muitas. Mora com a família em Elói Mendes/MG, onde cultiva uma horta nos finais de semana, joga videogame com frequência e mantém uma rede na garagem. Raramente tem tempo pra escrever alguma coisa.

 

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