Casaram. Tiveram lá seus filhos e até seriam felizes para sempre não fosse o saudosismo do Seu Saulo.
– Larga essa vitrola! – Indignava–se a esposa ao vê–lo abraçado ao aparelho que agora daria lugar ao ‘blu–ray’. Seu Saulo não tinha muita habilidade frente às novidades, não subia em elevadores nem passava perto de enlatados, mas não pode-se dizer que não era um homem bom. Para D. Dulce, porém, já era um caso perdido.
Seu Saulo folheava seus discos, cheio de saudade da bossa nova, ressentindo até a poeira que seria expulsa vinil a vinil. Aquela poeira fazia parte de sua história, oras, resmungava ele no canto da sala.
As mudanças em casa lhe traziam amargura e culminou com a aposentadoria do ‘cuco’, que apesar de não funcionar há nos, tinha para ele presença obrigatória na parede da sala. Um absurdo! E, enquanto levavam o relógio para o quartinho dos fundos, ele saiu de casa, não querendo presenciar aquele ultraje.
Dava passos largos na rua movimentada e foi parar em frente ao velho cinema, onde seu coração tomou um novo choque. “Breve: Lojas Paraibanas” – estava escrito em uma faixa. Era demais para o Seu Saulo. E a pressão dele já não andava muito boa. As meninas bem que tentarem lhe dar um celular, caso precisasse nessas andanças pela rua, mas de que jeito?
E o ar começou a faltar. Ele foi lembrando que fora ali mesmo, trinta anos atrás, que conhecera a Dulcinha. E quanta lembrança boa. Com dificuldade, tentou atravessar a rua que a modernidade também fez questão de complicar, mas não conseguiu chegar ao orelhão. No meio da multidão, sentiu saudades do tempo em que as pessoas ainda ofereciam ajuda na rua. Então, Seu Saulo era uma vez…






























