— Achei que a seleção nos representou.
— ???
— Um espelho de nós.
— Cê tá falando sério?
— Veja ali: Alisson, Marquinhos, Gabriel, Douglas… Parece que foram porque tava todo mundo indo. Sabe como é?
— Tipo: vô ali fazer um social.
— Bem brasileiro isso de acompanhar a manada.
— Esqueceu do Danilo?
— Ele foi mais como quando a gente acha que estar disponível é suficiente e depois faz de qualquer jeito, sem se preocupar com a consequência de um passe displicente pro meio do campo, por exemplo.
— Sei. E o Bruno Guimarães disse que estava disposto a morrer em campo!
— E na primeira oportunidade matou qualquer chance. Nada mais brasileiro que um discurso diferente da prática.
— Representou bem.
— Já as corridas pra trás do Casemiro são a representação fiel da nossa preguiça. Do fazer o mínimo possível. De repente faz até um golzinho pra aparecer na planilha de produtividade, mas não vê a hora do expediente acabar.
— Érh…
— Rayan e Neymar representam a nossa nova juventude: adolescentes de 15 a 45 anos. Nasce menino, cresce menino, envelhece menino. A cara do Brasil atual.
— Faz sentido.
— E por que não falar da surfada do Matheus Cunha? Representa aquela capacidade que a gente tem de sempre achar que a grama do outro é mais verde, o outro esporte talvez seja mais divertido.
— Falso 9, falso 10, falso 11… Vai dizer que o Ancelotti também representou o Brasil?
— Esse não. Esse representou o país dele que há muito tempo não vai numa Copa…
— E o Vinícius Júnior?
— O que parecia alegria, de repente vira escárnio, deboche. Assim como descobrir que rir de tudo talvez seja mesmo desespero. Tão brasileiro quanto o ódiozinho do “eu já sabia!”.
— Entendi. Somos os piores do mundo então?
— Não. Muito pior que isso: nem conseguimos perceber que somos só qualquer um mesmo.
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Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.



























