A passagem de ano, de forma praticamente unânime, carrega um forte simbolismo e alimenta nas pessoas sentimentos de renovação e esperança. Trata-se de um período marcado pela revisão de ações, pela reflexão sobre o ciclo que se encerra e pelo planejamento otimista dos passos que serão dados no ano que se inicia. Nesse contexto, rituais e práticas simbólicas ganham destaque como forma de potencializar desejos e intenções.
No Brasil, são comuns tradições como vestir roupas brancas, estourar champanhe, pular sete ondas, montar mesas com frutas para a ceia e, em algumas regiões, realizar oferendas no mar. Popularizadas e incorporadas ao imaginário nacional, essas práticas fazem parte do repertório coletivo de celebrações de Ano Novo. Entretanto, poucos conhecem a origem desses costumes, hoje amplamente naturalizados na cultura brasileira.
Segundo o cientista da religião Alexandre Cumino (bacharel pela UNICLAR, médium e sacerdote de Umbanda), muitos desses rituais ganharam força a partir da década de 1950, durante a liderança religiosa de Tata Tancredo, quando foi instituída a tradicional Festa de Iemanjá, no Rio de Janeiro. Vestir branco, pular sete ondas, lançar rosas brancas ao mar e estourar champanhe eram inicialmente práticas vinculadas a um ritual umbandista de Ano Novo, em homenagem à divindade. A popularização foi tão ampla que a tradição ultrapassou barreiras religiosas e se consolidou como parte do folclore festivo nacional.
A constatação, entretanto, provoca reações distintas. Especialistas afirmam que o desconhecimento sobre essas origens revela um distanciamento entre a sociedade brasileira e as matrizes culturais que formam sua identidade.
Embora práticas e símbolos de origem afro-brasileira estejam disseminados no cotidiano, as religiões que lhes deram origem ainda são, com frequência, alvo de preconceito, intolerância e ataques.
Esse cenário evidencia o paradoxo: elementos culturais derivados das religiões de matriz africana são amplamente celebrados, desde que desassociados de seus nomes, rostos e identidades. Ao longo do ano, rituais semelhantes aos praticados no Réveillon podem ser alvos de discriminação, reforçando desigualdades históricas e confirmando a urgência de debates sobre educação, respeito e liberdade religiosa.
Para 2026, a expectativa se estende para além dos votos individuais de saúde e prosperidade. Que o novo ciclo traga também um avanço na consciência coletiva, permitindo que expressões de fé — sejam elas quais forem — possam ocorrer sem medo, violência, intolerância ou julgamento
Natanael Coelho é dirigente espiritual da Tenda de Umbanda Caboclo Urubatã, em Varginha
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Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.



























