O Tempo da Quaresma

Os Valores e o Tempo
Imagem: Blog do Madeira

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Caríssimos amigos,
Saudações fraternas!
A Igreja (Católica), Corpo místico de Cristo/Povo de Deus, vive a sua fé (adesão incondicional a Cristo) manifestada em assembleia  reunida por meio da liturgia (ação de Graças). A liturgia tem seu ponto culminante no Sacramento (sinal visível da Graça de Deus) da Eucaristia.

A liturgia se dá no tempo e no espaço. A liturgia é lugar da revelação/manifestação do próprio Deus na ação do Espírito Santo pela mediação de Jesus Cristo, o Filho de Deus. De forma pedagógica e dinâmica a liturgia se desenrola naquilo que denominamos Ano Litúrgico.

O Ano Litúrgico é diferente do ano civil. Seu início e termino está no final de novembro ou no máximo no dia 03 ou 04 de dezembro.
O que é o Ano Litúrgico? É o modo pelo qual a Igreja contempla os mistérios da vida, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Ano Litúrgico se divide em tempos/períodos específicos quais são aqueles: Advento/tempo de chegada e partida do Ano Litúrgico, Natal/tempo de proximidade do Deus conosco, Quaresma/tempo de comunhão com a paixão de Cristo, Tríduo Sacra/Tempo Pascal/ fé e certeza na vitória do amor de Deus sobre o pecado e a morte e Tempo Comum/contemplação do ministério público de Jesus e suas consequências tais como missão o anúncio do Evangelho da Igreja no mundo.

Iniciamos neste dia, 24 do mês de fevereiro ano da Graça do Senhor de 2024, um novo Tempo Litúrgico na vida da Igreja, qual é aquele, o da quaresma com o rito da “imposição das cinzas” nos recordando que somos pó e que ao pó voltaremos. A quaresma (40 dias) se estenderá até a quinta-feira santa.

A quaresma nos prepara para vivermos o ápice/ centro da nossa fé que é a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A quaresma é um tempo propício e favorável de discernimento e mudança na qual desvela as grandes carências existenciais que nos afligem e nos desumanizam; ao mesmo tempo, ela nos faz ter acesso aos melhores recursos e dons, encontrados em nosso interior
e que ainda não tiveram chances de se expressarem.

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O Tempo Quaresmal é uma excelente mediação para viver com mais sentido e inspiração a nossa existência.

A quaresma nos conduz ao deserto. Deserto significa lugar da presença de Deus, bem como, lugar das tentações. A quaresma é o lugar no qual entramos para converter o nosso coração. É lugar de enfrentamento conosco mesmos: purificação da nossa consciência, metanoia/transformação da nossa relação com o Outro/Deus, comigo mesmo e com o próximo. Quaresma é caminho de santificação.
O Tempo da quaresma nos ajuda a vivermos com maior proveito esse tempo de graça, nos propondo três exercício. O jejum “religioso”, assumido como forma voluntária de penitência, lembra-nos de que a vida não se resume ao alimento do corpo e na satisfação das necessidades e desejos terrenos.

É preciso buscar “o Pão que desceu do céu para dar vida ao mundo” (cf. Jo 6,51), o alimento da Palavra de Deus, que molda nossa vida e nos educa. Quaresma é tempo de ler e ouvir com atenção renovada essa Palavra de Deus.

A esmola, entendida literalmente, também deve ser praticada. Porém, como exercício quaresmal, o conceito “esmola” indica muito mais que esse simples gesto e se refere à prática da caridade, às obras de misericórdia em geral e à verdadeira solidariedade e fraternidade.

Nessa dimensão da vivência quaresmal também se insere a Campanha da Fraternidade, que, no Brasil, a cada ano, aborda alguma questão do convívio social em que se fazem necessários a conversão e o crescimento na caridade e fraternidade.

Neste ano, a Campanha da Fraternidade nos questiona sobre o tema da “Fraternidade e a amizade social” tendo como lema motivação uma passagem do Evangelho de Mt 2,38.

A oração indica o terceiro conjunto de exercícios da quaresma. Jesus rezou, ensinou a rezar e recomendou a oração. Oração é exercício da fé, alimento da fé e expressão da nossa busca de Deus. Quem tem fé reza. Quem não tem fé não reza. Quem não reza perde a fé. Como cristãos, temos várias formas de oração: oração pessoal, em família, ou grupos, é muito recomendada como exercício diário. A Igreja recomenda a oração nos diversos momentos do dia: pela manhã, ao despertar; ao meio-dia; no final do dia e ao nos recolhermos para o descanso. A oração é encontro íntimo, diálogo com Deus.

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Dessa forma, somos chamados a viver intensamente mais uma quaresma. Sua definição s síntese se encontra na primeira oração (Oração do dia/coleta) que o padre reza do folheto da Missa do I Domingo da Quaresma: “Deus todo-poderoso, através dos exercícios anuais do sacramento da Quaresma, concedei-nos progredir no conhecimento do mistério de Cristo e corresponder-lhe por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos”.

Boa quaresma!

André Carlos Morais Carvalho
Bacharel em Teologia pela Faculdade de São Bento/RJ

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