Florianildo, quem diria! Com seu jeito de homem sério, bom emprego, privilegiado pela diretoria, bom salário e casado com uma mulher exemplar, tinha um caso fora de casa. Ninguém imaginava que atrás daquele homem sério, cumpridor de todas as tarefas, estivesse andando fora da linha com sua mulher. No serviço não dava a menor bola as funcionárias que trabalhavam com ele. Era mesmo um homem sério.
“Dizem que boi sonso é que arromba cerca”; então Florianildo se enquadrava dentro do dito popular.
Sua esposa sempre visitava a mãe em outra cidade; não era com frequencia, mas sempre visitava. Quando viajava, tomava o ônibus na sexta-feira e retornava domingo à tarde. “Era nestes dias que Florianildo se encontrava com sua amante que já era caso antigo”.
Certa vez o carteiro deixou documentos na caixa de correspondência, e, entre cartas, boletos bancários e de propaganda, estava uma correspondência do DENATRAN; era uma multa e, ainda por cima com a foto do carro, com as placas dianteira e traseira do marido e da acompanhante. O que mais chamou a atenção foi o horário: duas e quarenta e cinco da matina de sábado. Nesse dia a esposa estava em viajem.
A mulher ficou sem saber o que fazer. Pensou mil coisas antes de tomar uma decisão. E tomou: deixou a multa em cima da mesa de propósito para que Florianildo visse e nunca iria tocar no assunto para ver a reação do marido.
Ao chegar do trabalho, o marido ficou gelado ao ver o papel do DENATRAN em cima da mesa de centro. O que fazer? Explicar o inexplicável? Florianildo teve vontade de sumir e nunca mais voltar para não ver a cara da esposa.
O tempo passou. Nada da mulher tocar no assunto. O que estaria tramando a esposa? Pensava ele. Os dias correram normalmente como se nada tivesse acontecido, até que ele tomou uma decisão inusitada: vendeu o carro, rasgou a carta de habilitação e nunca mais pegou no volante.























