Nos velhos tempos da jogatina, onde os clubes viviam lotados, com mesas e mesas ocupadas por fazendeiros e comerciantes com bolsos cheios era um prato cheio para a malandragem.
Sabendo da fama da cidade, apareciam jogadores de várias partes do Brasil, entre eles estava Albercanjo; esperto, rápido com as mãos, cínico, bom de lábia, boa vida, violento, corajoso e bonitão, onde chamava a atenção das mulheres por onde passava.
Albercanjo era um rapaz alto, esbelto, e indubitavelmente muitas mulheres o teriam achado elegante. Vestia sempre um terno de tecido de primeira; os sapatos italianos eram do melhor couro e brilhavam. Seu cabelo longo era negro e brilhante e penteado para trás. Suas mãos eram longas e finas, muito bem cuidadas, e seus dedos afilados e suaves como os de uma mulher. Sobre sua pessoa parecia haver um letreiro dizendo: “Jogador profissional”. E não havia a menor dúvida de que aquelas mãos tão bem tratadas estariam mais acostumadas ao contato dos baralhos, nas mesas de jogo, do que a segurar qualquer instrumento de trabalho.
O rapaz havia chegado a pouco por aqui. Conheceu uma moça de família simples, mas muito bonita. Tinha uma cabeleira que se parecia ouro. Olhos azuis e lábios vermelhos, evidentemente macios e doces. Era alta como ele, esguia e flexível, cheia de curvas e se apaixonou perdidamente pelo jogador, a ponto de cometer qualquer loucura para tê-lo a seu lado. Era o que ele queria. Ninguém sabe, mas já devia ter se aproveitado de outras ingênuas como ela
Sem que os pais soubessem, os dois se encontravam as escondidas, até que a jovem ficou grávida. Foi uma tragédia para a família. O boato correu como rastilho de pólvora. A cidade toda comentava o fato. Albercanjo sumiu do mapa, se mandou, não quis assumir o filho.
O pai da moça, um homenzarrão de traços duros, um tanto barrigudo. Seus olhos tinham uma expressão hostil. Mas o detalhe mais significativo, na sua pessoa, era uma cinta com uma fivela bem polida que levava na cintura, colocada desde que o rapaz sumiu. Tinha e esperança de um dia encontrá-lo.
O que o sogro andou a procura deste rapaz não está escrito. Ele removeu montanhas para caçá-lo.
Em suas andanças pela região, ficou sabendo que um determinado homem com as características do jogador frequentava uma casa de jogo em uma cidade não longe daqui.
Sem nunca imaginar, Albercanjo se viu diante daquele tamanho de homem, não teve forças para levantar da cadeira. Apanhou de correia igual gente grande. Veio na marra para cá.
Detalhe: O casamento aconteceu sem sua vontade.
JB Tatu é radialista, ventríloquo e torcedor do Pouso Alegre de Rondônia.
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Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.






















