Tem uma sede de posto de saúde a poucos metros da minha casa. Ali foram investidos alguns bons recursos públicos, com certeza. Mas está abandonada.
Não tenho dúvidas que alguém tenha uma boa explicação para que o planejamento tenha falhado. Acontece.
Não muito longe dali, na antiga Rádio Vanguarda, tem outro postinho instalado. Três ou quatro quarteirões acima. Tranquilo.
Reuni os documentos da família toda e fui lá:
— Mora onde?
— Ali embaixo?
— Ali embaixo não é daqui. É do Pinheiros.
— Entendi.
Imagino que uma reunião cheia de gente definiu que essa era a melhor opção. Que entendo eu de logísticas e quadrantes? Andei até os Pinheiros.
— Mora onde?
— Lá longe.
— Lá longe não é aqui. É ali embaixo.
— Entendi.
Desci.
Lugar certo. Documentos certos. Tem só que preencher umas fichas. Pra família toda. Muita coisa. Preenche em casa, traz depois, as meninas colocam no sistema.
— Demora?
— Se o sistema estiver funcionando, não. Mas o sistema não funciona direito desde a semana passada…
— Entendi. E depois que estiver no sistema, demora?
— Hoje a gente teria consulta só pra novembro…
Talvez a gente precise rever algumas promessas de campanha da última eleição.
• • •
Mas, enquanto isso, na sala…
do congresso nacional, aprovaram uma lei importante: deputado bandido só pode ser julgado se os outros deputados bandidos deixarem. Veja o valor do networking nos dias de hoje.
Pra você não me acusar de viés partidário, aqui temos uma unanimidade. Tanto deputados do PT do Lula (12 cadeiras) quanto do PL do Bozo-Valdemar (84 cadeiras) votaram a favor da “blindagem“. Quem tem cós tem medo.
Mas você já reparou que, na maior parte do tempo, tudo o que é pautado lá se refere a eles mesmos?
E quando não lesgilam sobre eles, sabia, por exemplo, que um certo deputado influencer destinou alguns milhões de ‘sua’ verba para um clube de futebol que desconhece, sem qualquer critério específico, simplesmente porque é de uma região onde ele teve uma votação expressiva? Ele disse que a lei diz que ele não precisa justificar. Tudo certo.
E o que tem a ver o cós com a calça?
Ano que vem tem eleição. E, enquanto você argumenta por esse ou aquele presidiá… perdão: por esse ou aquele presidente, pode acabar se esquecendo que faz uma diferença danada o tipo de deputado que escolhe.
Eles podem, por exemplo, direcionar as verbas para construir um posto de saúde a ser abandonado logo1 mais ou verbas que podem definir a quantidade de médicos que estarão disponíveis quando for marcar consulta. E até mesmo garantir o suporte ao “sistema” que não funciona desde a semana passada.
Se a fila de espera te incomoda, quais projetos os candidatos que você votou têm apresentado no congresso? Ou na a assembleia ou no senado (ou mesmo aqui na câmara) para merecer continuar lá?
Apesar de o Google me informar que, para este Posto de Saúde que citei no primeiro parágrafo, os recursos vieram da própria prefeitura.
Subscrever Cotidiano
Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.


























