“Cada pássaro, cada árvore, cada flor me lembra como é uma bênção e um privilégio estar vivo” Marty Rubin
9,00 da manhã. Abro a janela do meu quarto para regar minha jardineira(floreira). Eis que flagro um casal de rolinhas a namorar. Elas se beijam e, à medida que seus bicos se encontram, abrem suas asas. Conjecturo ser expressão de alegria, felicidade e interação, intenso regozijo por se amarem.
Observando essa cena, pus-me a pensar nos múltiplos exemplos nos dados pela natureza, sobretudo de harmonia, respeito ao espaço do outro e, porque não dizer, de solidariedade, pois o prato de mamão do beiral da janela é dividido entre sanhaços azuis e verdes, bem-te-vi e um pássaro pequeno de bico vermelho, cujo nome não sei.
Fecho os olhos por um instante e me vem à mente o chão, onde brotam o verde e tantas cores de espécies de flores ornamentais, por onde correm rios – a maioria poluídos e intratáveis. Chão que nos dá vida, acolhimento e que destruímos numa velocidade abissal.
Queria elaborar um texto singelo, sem críticas ou apologias, mas me é difícil não expressar indignação pela nossa normose e individualismo exacerbados e busca por interesses próprios, em detrimento do bem coletivo.
Vivemos em um egocentrismo, num mundo do toma lá dá cá, da violência, ganância, intolerância, impaciência e falta de solidariedade. Em todos os continentes, pessoas vivem atormentadas pelo ter e consumir. Fodam-se os outros, o meio ambiente, se nossos desejos se concretizam.
Somos predadores vorazes e a sensibilidade aguçada denuncia, tentando manter uma tênue esperança de que acordemos para a mudança radical. Ou estaremos fadados
à autodestruição. Kalil Gibran, sabiamente dizia: árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo o nosso vazio.
Vanilda Souza Marques
Jornalista e ambientalista
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