Uma sugestão de palco

O dogma darwinista e a coragem que falta à ciência

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Se o ex-prefeito Verdi Lúcio Melo realmente disputar uma vaga de deputado estadual, fica uma curiosidade: teria ele disposição para lançar sua candidatura em frente ao Mercado do Produtor, o mesmo mastodonte que inaugurou sem terminar a obra, logo no final de seu mandato, assim como cortou a fita do Velório Municipal sem terminar a obra?

Hoje, ao lado do deputado desconhecido e do vereador Cássio Chiodi, que parece estar apoiando o questionável ex-prefeito, Verdi se apresenta em suas mídias sociais como sendo o maior obreiro de Varginha.

Negar que Verdi é um indivíduo sortudo, não podemos. Ganhou uma Prefeitura num período em que o povo estava desesperado com a pandemia. Lembro-me de que o vice tinha menos de dois dígitos de possibilidade nas futuras urnas, segundo as pesquisas pré-eleitorais de 2020. Contudo, com a renúncia de Antônio Silva, o eleitor deve ter pensado: “Já que tu estás, fica tu mesmo; o importante é nos livrarmos deste monstro viral.”

Aí, Verdi venceu fácil nas urnas, com a ajuda de Leonardo Ciacci e Antônio Silva, embora este último estivesse confinado em casa. Recebeu dinheiro do Governo Federal para financiar a luta contra a pandemia; recebeu dinheiro que o governo Pimentel devia ao Município de Varginha; e recebeu os benefícios decorrentes das empresas que se instalaram em Varginha com o trabalho de Antônio Silva, que começara a fazer crescer o Valor Adicionado Fiscal (VAF), elevando substancialmente a arrecadação para o prefeito fazer a festa, no bom sentido.

Começou com as câmeras inteligentes, que apelidaram de câmeras espertas – que parecem estar em litígio – e, embora legalmente, dispensou a CONAN, que estava aqui desde 1982. Com a nova empresa, conseguiu criar uma série de problemas nos softwares da Prefeitura, aparentemente ainda não solucionados, a não ser que melhorou na gestão atual.

Verdi conseguiu para o município algo juridicamente parecido com um instituto de imissão de posse do clube VTC, que era um clube com sócios remidos e contribuintes, além de uma parte cedida pelo Estado há dezenas de anos. Parece, mais uma vez, ter faltado planejamento para o futuro – o mesmo que se suspeita ter ocorrido com o “Elefante Preto”.

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E, por falar em falta de planejamento, gostaríamos de saber por que Verdi asfaltou e construiu duplicação numa estrada sem tanta prioridade (pelo menos no momento – Pedreira saindo perto da UPA. E quer saber mais não tem retorno no curso das duas pistas.

Verifiquei que no final do mandato do prefeito que se diz grande obreiro, sobrou dinheiro em caixa, algo em torno de 250 milhões de reais (só que era dinheiro vinculado e no tesouro com certeza recursos de empenhos a pagar).

Afinal, o Mercado do Produtor é uma obra que consumiu recursos públicos, foi apresentada como solução para fortalecer os pequenos produtores e que, até hoje, continua despertando dúvidas sobre sua efetiva utilidade. É justamente esse tipo de empreendimento que um candidato precisa estar disposto a explicar ao eleitor, justificando também se ele foi correto com seu sucessor, Leonardo Ciacci.

Explicar também, aproveitando o ensejo, por que inaugurou o Velório Municipal sem terminar a obra e, ainda, por que, com uma canetada equivocada, prejudicou os negócios de três empresários, embora a ação popular esteja tramitando na Justiça para ser analisada.

Talvez seja a oportunidade perfeita para responder perguntas simples: o investimento atingiu os objetivos prometidos? Os produtores foram realmente beneficiados? O dinheiro público empregado trouxe o retorno esperado? Outra explicação necessária é sobre o que significa, no meio da obra que poderia aliviar o trânsito e solucionar o escoamento de água, terem deixado uma loja intocável no meio do empreendimento.

Se a resposta for positiva, nada mais natural do que transformar o Mercado do Produtor em palco da campanha. Mas, se a obra se tornou um símbolo de promessas não concretizadas, talvez o local seja mais lembrado pelas perguntas que provoca do que pelos resultados que apresenta.

Na política, discursos são fáceis. Difícil é convencer o cidadão diante de uma obra que fala por si. E, às vezes, o concreto tem mais memória do que o palanque.

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E, quem sabe, esse seria o melhor teste para medir a confiança do próprio candidato na obra que deixou como legado. Se ela representa um sucesso administrativo, não deveria existir lugar mais apropriado para o lançamento de sua campanha. Agora, se até os aliados evitarem aquele cenário, o eleitor certamente entenderá a mensagem sem que ninguém precise dizer uma única palavra.

Algumas obras inauguram governos; outras inauguram perguntas que insistem em permanecer sem resposta.

E, por falar em inaugurar perguntas, eu já pratiquei atos de cidadania por meio de meus editoriais, cobrando da Câmara Municipal sua aparente inércia diante de possíveis descumprimentos dos instrumentos orçamentários – Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA) -, além de questionar se, em determinadas decisões administrativas, foram efetivamente observados princípios constitucionais que devem nortear toda gestão pública, como a legalidade, a eficiência, a economicidade, o planejamento, a transparência e a moralidade administrativa.

Mais do que discutir obras isoladas, o verdadeiro debate diz respeito ao respeito ao dinheiro do contribuinte e à responsabilidade de quem administra recursos públicos. Quando uma obra não entrega os resultados prometidos, quando o planejamento parece ser deixado em segundo plano e quando o Poder Legislativo deixa de exercer, com o devido rigor, sua função fiscalizadora, quem perde não é apenas o orçamento: é a confiança da população nas instituições.

Diante disso, resta uma pergunta simples, mas inevitável: será que os eleitores desejam reeleger esses problemas?

E parece que Verdi fez mais uma. Recentemente, abandonou o grupo político do prefeito e de Diego Andrade, juntando-se a um candidato a deputado federal desconhecido, chamado Igor Eto.

Isso vai dar rima.

Luiz Fernando Alfredo

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