Sobre gasto musical

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Vou entregar minha idade. Quando era criança, meu lugar favorito em Varginha era a antiga Câmara de Vereadores, ali na Delfim Moreira, em frente ao Hotel do Comércio. Não sei qual setor da prefeitura fica ali agora.  É que ali, na época, no último andar subindo uma escadinha de madeira, ficava a Biblioteca Pública.

Meus amigos já tinham mais interesse pelas rádios da cidade e as lojas de discos, que vendiam fitas K7 piratas (vinis eram caros).

Não era apegado a bandas na adolescência, não toco nenhum instrumento. Antes de entrar na faculdade ouvia o que meus amigos escolhiam ouvir, Raul, Rock e pop 80, musica caipira muito pouco, MPB quase nunca, Jazz pra mim era uma dança.

Achava violinos cool e o Axé foi minha primeira chance de não gostar de algo.

Foi na faculdade que peguei, por boas influências, gosto por MPB antiga, blues, boleros, montei minha seletiva playlist de música erudita e meu gosto por Rock bebeu tardiamente do Punk e do metal. Não curto Rap e nem Funk, mas não desgosto, consigo escolher algumas musicas de um de outro, geralmente quando tem menos baixaria e mais crítica social.

Continuo não gostando de Axé, mas meu ouvido ficou mais tolerante quando sumiram da mídia sulista. Consumo música da mesma forma que faço meu prato no self-service, um pouco de tudo e foco nas carnes.

De maneira geral acho que todo mundo entende mais de musica que eu, por isso não julgo ninguém. Mas tem uns anos que peguei enfado de todo esse bombardeio de sertanejo.

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Deve ser culpa do tinder, aqui no sul de Minas, pelo menos metade das mulheres citam nos perfis apenas sertanejo como gosto musical. É a hora que me sinto meio exilado aqui. Porque respeito o gosto delas, mas queria mais…

Umas das coisas que amo em Varginha, é a Quinta da Boa Música.  Ter um evento recorrente focado principalmente no Pop-Rock, e GRATUITO, apresentando artistas da região e bandas novas ou locais é um baita luxo, e custa tão barato pra prefeitura! Precisa voltar logo e não acabar nunca.

Antes que fiquem com raiva de mim preciso fazer os reparos. Gosto sim, do sertanejo ac (antes de Chitãozinho e Xororó), mas todo pedante diz isso, né?  Mas tem mais, gosto também dessa mulherada que ganhou espaço nos últimos anos, da mesma maneira que gosto do funk com critica social, mexe com meu sociólogo interior.  

Mas das duplas de homem, só fico sabendo o nome, quando batem o carro, batem na mulher ou dizem bobagens sobre política.

E sei que tem uma regra. Pelo menos um dos membros da dupla precisa se chamar Juliano, Cristiano ou Luciano.

E que são todos clones. Alguns dos melhores músicos do país acompanham as duplas, o que faz a sonoridade ter qualidade e profissionalismo. Mas os dois caras geralmente têm pouco carisma, voz comum, barba, calcas apertadas e talento duvidoso. Peças de marketing. Triunfos do marketing das coisas vazias.

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Há exceções, claro. Mas e daí, exceções tem pra tudo, o foco é na regra.

De novo, os fãs entendem disso mais que eu, e estão no seu direito. Mas eu queria mais….

Quando era jovem, só víamos músicos famosos quando a prefeitura ajudava trazer pra tocar na Feira da Paz (o melhor show que vi em uma Feira da Paz foi Sérgio Reis, ele era jovem, animado e com bom senso de humor, mas mudou tanto depois de mexer com política… O pior foi de Daniela Mercury, mas coitada a noite estava muito fria). 

Ou quando tocavam na Praça da Fonte, o que era melhor, porque era de graça pra gente (mas não pra prefeitura), no Minhocão às vezes era pago, mas não era caro.

Então acho importante sim que prefeituras criem oportunidades para as pessoas do interior verem seus ídolos. E que cada um escolha o ídolo que quiser. Mas esses valores que a gente ficou sabendo agora. Dinheiro tirado da educação, da saúde, queria menos, bem menos….  

Rodrigo Mudesto é varginhense, sociólogo e prefere ouvir música no Youtube, não tem Spotify, dever porque é cringe e está ficando velho.

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