Pense em um torcedor apaixonado! Apaixonado não; doente. Assim era Flamenguildo. Tudo em sua casa era vermelho e preto: toalha, lençol, tapete, casinha do cachorro e, sem contar o número de camisas do clube dentro do guarda roupas.
Todo final de campeonato em que estava o Flamengo, o torcedor reunia os amigos mais chegados em sua residência para um churrasco e, claro, para assistir a partida pela televisão.
Flamenguildo tinha já preparado nos fundos de sua casa, um dispositivo feito de madeira onde os fogos de artifício eram colocados de uma maneira sincronizada à serem acendidos um a um, e assim provocar explosão sucessivamente.
Em 1995 o Flamengo chegou novamente à final do Campeonato Carioca contra o Fluminense. Tudo estava correto; seus amigos em volta da churrasqueira, muita cerveja e a alegria estampada no rosto de cada um. Afinal, o Rubro Negro tinha a vantagem do empate e, por cima um bom elenco. Naquele domingo só alegria.
O jogo começou; a galera toda em frente a TV. Churrasco e cerveja correndo a vontade.
Tudo corria muito bem. O final do jogo já se aproximava, o placar marcava um empate em 2×2, o que dava o título ao Rubro Negro.
Já se aproximava dos 45 minutos, quando um torcedor já acreditando que o Tricolor não tirava o título do Mengão, se aproximou do artefato onde estava o pavio e riscou o fósforo.
Quando o pipocar dos fogos começou, Renato Gaúcho fez 3×2 com gol de barriga dando o título ao Flu.
Flamenguildo ficou maluco. Fogos em comemoração ao Fluminense em sua casa? Isso não. Foi um tremendo sururu, um quiprocó que Deus nos acuda.
Garrafas quebradas, churrasqueira virada de cabeça para baixo, tapas e pontapés à vontade.
Naquele domingo a PM teve um trabalhão danado para conter os ânimos exaustados dos torcedores. A amizade acabou, nunca mais houve churrasco, nunca mais houve cerveja e muito menos fogos de artifícios.




















