Pelés e Messis da música

Pelés e Messis da música

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Recentemente, entre aqueles que admiram o futebol, houve a seguinte questão: terá Messi igualado, ou mesmo superado Pelé? Em outras palavras, em termos comparativos, quem é melhor?

A maioria das opiniões reforçam a dificuldade em colocar os dois gênios da bola nos mesmos padrões comparativos, uma vez que jogaram em épocas bem diferentes. A técnica, o preparo físico do atleta se transforma, bem como a maneira como o futebol é praticado.

Em relação a música, a seguinte pergunta é muito frequente: qual é o melhor compositor de música clássica?

Eu penso que, assim como na questão sobre Messi e Pelé, não existe uma resposta satisfatória.

Vou explicar citando duas grandes obras: as “Quatro Estações” de Vivaldi e o “Bolero” de Ravel. Vivaldi publicou a referida obra em 1725, em uma época que as composições puramente instrumentais eram algo recente; o próprio corpo orquestral estava em formação. O pensamento musical era próprio daquela época, inclusive os instrumentos eram diferentes dos que se praticam hoje (convido o leitor a procurar algum vídeo sobre o violino barroco, por exemplo). Já o Bolero, composto em 1928 (mais de duzentos anos depois das Quatro Estações) estava inserido em uma época na qual o corpo orquestral já se encontrava todo estabelecido (na época de Vivaldi a orquestra era basicamente formada pelos instrumentos de cordas e o cravo; em Ravel há a organização definida de naipes – cordas, madeiras, metal e percussão – inclusive com o acréscimo de vários instrumentos a esse corpo). Nessa obra, Ravel escreve um solo a cada instrumento específico, prática não tão frequente na época de Vivaldi. Ou seja, o acesso a informações, a maneira de lidar com ferramentas de composição são bem diferentes, entendendo a época que cada compositor vive.

Por isso, não acredito que haja parâmetros para o julgamento técnico de qual compositor seja melhor. Cada gênio (como Vivaldi e Ravel), lida de maneira absolutamente fantástica com o material que seu tempo disponibiliza. Podemos sim, termos nossos gostos pessoais, e preferir tal compositor. Por esse lado, é fantástico percebermos que as grandes composições musicais estão inseridas em um contexto social de cada época, o que reflete nas práticas musicais de cada período. E ainda mais fantástico é nos darmos conta de que a música – como arte viva – para acontecer, precisa ser executada. E uma vez executada, continua encantando a humanidade… ultrapassando os limites do tempo! Assim como Vivaldi e Ravel, convido o leitor a conhecer verdadeiros gênios da música, como Monteverdi, Bach, Händel, Mozart, Haydn, Beethoven, Chopin, Schumann, Berlioz, Rossini, Verdi, Tchaikovsky, Debussy, Mahler, Shostakovich, Villa-Lobos entre outros.

Para encerrar o papo de hoje, como bom santista, ainda considero Pelé maior que Messi…

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