O Trem das Sete

"Colaborador do blogdomadeira JB Tatu."

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O trem das sete. Não é o da música de Raul Seixas, não; o trem das sete a que nos referimos é da história de um vendedor de diversos produtos, que apareceu na cidade. Depois de negociar as mercadorias pela periferia, resolveu arriscar um olho no bilhar com um dos melhores tacos da cidade. Adivinha o que aconteceu?

Clorestino Venânciano era um camelô oriundo da região de Guaratinguetá no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo.  Sempre desembarcava na Estação Ferroviária da cidade, vindo daquela região. 

Venânciano vendia de tudo. Trazia sempre em suas sacolas: bonecas, carrinhos de plásticos, cabides, lenços, meias e calças de tergal. Tinha boa freguesia pelo jeito. Chegava de manhã e, por volta das duas da tarde esvaziava as sacolas. Vendia tudo.

Em um destes dias por aqui, resolveu dar uma chegadinha ao Bar Capitólio, para umas partidas de bilhar. Desafiou alguns jogadores, dizendo ser um bom jogador; acabou encontrando um parceiro, e que parceiro. Um dos melhores. Tacadas aqui, encaçapadas ali; o jogo foi até altas horas. Clorestino realmente era um bom taco. Só que o adversário era bem melhor que ele.

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Lá pelas tantas, o camelô estava “durinho, ou quebradinho”, como dizia na gíria da jogatina. Como de praxe, além de pagar o tempo de jogo pelo ganhador, deu alguns trocados ao adversário para comprar passagem de volta.

Clorestino dormiu o resto da madrugada no banco da Estação Ferroviária. O dinheiro era por conta da passagem, não sobrava nem para um cafezinho.

Na hora de embarcar, deu uma terrível dor de barriga no camelô. Deu desespero, não sabia o que fazer; se corria para o trem ou se corria para o banheiro. O maquinista já havia acionado o mecanismo da locomotiva, a composição começou a bufar e a se movimentar lentamente como que ganhando força para Guaratinguetá e outras cidades que percorria.

Num ato de desespero fez um sinal com as mãos ao foguista da locomotiva para esperar uns minutinhos. Clorestino achou que o comandante havia entendido. Correu para o banheiro. Tudo ia tão bem pra ele. Estava se aliviando. Quando percebeu a partida da locomotiva; não teve tempo de alcançar o veiculo que o levaria de volta. O camelô seguiu os trilhos da ferrovia, na esperança de alguma parada repentina, ou do arrependimento do maquinista.

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Até onde foi ninguém imagina. Só um detalhe: Nunca mais apareceu por aqui.

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