Joaquim acordou com a sensação de que algo estava errado. Procurou a chave da casa: nada. Vasculhou os bolsos, o criado-mudo, a mesa da cozinha. Esqueceu onde havia deixado o telefone. Às vezes nem lembrava que tinha telefone. O chapéu, que sempre repousava no cabide, sumira como fumaça.
Saiu para a rua com o coração acelerado. As pessoas passavam por ele como sombras. Tentou lembrar o destino, mas a mente era um quarto escuro.
No banco da praça, sentou-se e fechou os olhos. O vento trouxe o cheiro de pão quente. Tentou agarrar a lembrança de uma padaria, mas ela se desfez.
De repente, uma voz suave:
— Papai?
Ele abriu os olhos. Uma moça sorria, os olhos marejados. No colo dela, um chapéu amarrotado. Na mão, uma chave. No bolso do casaco, um celular velho.
— Eu… conheço você? — perguntou ele, trêmulo.
Ela respirou fundo.
— Sim. E amanhã, quando esquecer de novo, eu estarei aqui. —
Joaquim não sabia se chorava pela perda ou pelo amor que, de alguma forma, ainda sentia.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.





























Uma resposta
Pois é assim para um tanto e será para outros.
Os anos chegam… a vida se torna mais distante e o que resta são vazios que precisam ser preenchidos com AMOR daqueles que um dia foram amados pelas mentes e pelo coração dos esquecidos.