O Futebol

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O terceiro assunto ameno para nossos colóquios cotidianos é o que traz mais desavenças quando mal conversado. Talvez um dos temas mais tratados em nosso país, o futebol tem a peculiaridade de ser uma conversa onde ninguém muda a opinião de ninguém. Porque existe argumento para tudo nesse mundo, mas não existe argumento que faça um torcedor mudar de time. A não ser que seja um torcedor muito fajuto. E torcedor fajuto não conta.

O primeiro ponto que você precisa saber sobre conversas sobre futebol é o seguinte: seu time é o melhor do mundo. Sempre. Se perder jogando bem, perdeu com estilo e ganhar todas é meio chato. Se ganhar jogando mal, valem os três pontos, bola na rede e ponto final. Se ganhar com roubo do juiz, você não tem culpa, pode comemorar e, se perder roubado, mande o desgraçado do juiz para o quinto dos infernos ou qualquer lugar daquela redondeza.

Mas não se esqueça que tudo isso também vale pro torcedor do time adversário, o que dificulta, e muito, o andamento de qualquer colóquio informal. Portanto, os diálogos sobre futebol devem versar em outros pontos, menos perigosos à saúde pública. Por exemplo, a importância tática do volante de contenção, assunto que rende pelo menos até o tira-gosto chegar na mesa.

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Outra peculiaridade sobre o futebol é que sua prática pode ser tão boa e divertida quanto a conversa sobre o assunto, o que invariavelmente não acontece com outros assuntos. E uma das melhores coisas que pode existir nesse mundo é conversar sobre futebol depois de jogar futebol, de preferência contando sobre os gols e maravilhas que fez com a bola. Coisa que ninguém mais no jogo viu, mas você lembra com riqueza de detalhes.

Mas isso não é pra todos, a gente bem sabe. É nessa hora que entra o mais importante sobre o futebol: a memória. Quem ficou mais de 15 anos sem ganhar um campeonato brasileiro sabe bem do que eu estou falando. Memória é fundamental. Não precisa ser graduado em escalações de times e campeões de copas. Basta uma boa história pra lembrar. Um título, um gol. Isso contagia e faz com seus interlocutores lembrem também de outras histórias e, a partir daí, a conversa não tem mais hora pra acabar.

Para a hora de assistir o fubebol, simplesmente acompanhe os lances e teça comentários relevantes do tipo “Tava impedido não, Ctt%Slho!” Na dúvida, limite-se ao “ulha!”. Mas nunca diga um “ulha” sem a devida convicção.

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Para os que não gostam de futebol, recomendo o crochê.

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