O chato do galinheiro

"Colaborador do blogdomadeira JB Tatu."

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Se você assistia aos filmes nos anos 70 no Cine Capitólio deve se lembrar desse fato. Tinha um cara tão chato, mas tão chato, que ninguém suportava; esse chato era Clereosenaldo, tinha a mania de contar o filme todo durante a apresentação na telona.

Para a massa mais pobre da época, “que era a maioria”, o jeito mesmo era assistir os filmes e seriados no Galinheiro do Capitólio. Lá poderia entrar de chinelos ou descalços. Na parte debaixo não era permitido. Tinha que estar calçado, e, de calça comprida. Muitos fingiam estar machucado dos pés e calçavam um pé de sapato e o outro enfaixado para encenar o ferimento, enquanto que outro usava o mesmo método; dessa maneira dois assistiam os filmes de camarote.

No galinheiro tinha um inconveniente: todo domingo na exibição do filme, lá estava o chato Clereosenaldo. Os frequentadores fugiam dele. Mas não tinha jeito, sempre alguém tinha que sentar perto, pois o local ficava sempre lotado. Para ele era motivo de felicidade. Tinha prazer em adiantar a cena do filme. Quando chegava o momento crucial, lá estava ele narrando antes do acontecimento. O publico chiava de raiva, chamava o “lanterninha” e de nada adiantava. De novo estava ele fazendo o povo passar raiva.

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Certa vez em um domingo, ia passar o filme inédito, o Dólar Furado com Giuliano Gemma. O primeiro a chegar foi o “chato do galinheiro”, todo contente, ele já havia assistido na sexta-feira no Rio Branco. A seu lado sentou um rapaz estranho. Clereosenaldo tentou puxar conversa. O rapaz não deu confiança. Foi só começar a rodar a fita, ele começou a contar a primeira cena do filme. Não teve tempo de contar a próxima. Levou um cascudo tão violento no pé do ouvido, que o tirou do ar por 10 minutos pelo menos, tempo esse que não deu nem pra ver de onde veio e muito menos quem deu.

Depois dessa, ninguém viu mais o chato nas cadeiras da parte de cima do Capitólio.

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