O Brasil é uma contradição viva. Um território abençoado por riquezas naturais, com solo fértil, reservas minerais, energia abundante e um povo criativo. No entanto, seguimos atolados no atraso moral, institucional e social. Um país que parece condenado a estar sempre “em desenvolvimento” — como se a maturidade fosse uma meta inalcançável.
O Legislativo, em grande parte, tornou-se fisiológico e mercenário. O Judiciário, lento, distante e seletivo. O Executivo, personalista e frequentemente corrupto. Os tribunais de contas transformaram-se em redutos políticos; e a máquina pública, em muitos casos, virou abrigo para apadrinhados. Enquanto isso, a educação — pilar fundamental de qualquer nação sólida — é tratada como despesa, e não como investimento. Como consequência, o povo desconhece o poder que possui, sendo facilmente manipulado por slogans e promessas recicladas.
A imprensa, que deveria ser o farol da verdade, muitas vezes cede às pautas ideológicas e ao patrocínio de grupos econômicos. Assim, o debate público se degrada, e a mentira se traveste de narrativa. A miséria, por sua vez, alimenta a “indústria da fome”: políticos se promovem em cima da dor alheia, enquanto a dependência social se transforma em projeto de poder.
Nesse cenário, o crime organizado encontra terreno fértil. O tráfico de drogas, sustentado pela exclusão, impunidade e corrupção policial, comporta-se como um Estado paralelo. Favelas e periferias tornam-se territórios sob outras leis, onde o medo reina e o Estado é ausente. Jovens são recrutados porque não veem futuro; o tráfico oferece o que o governo nega: renda, status e pertencimento — mesmo que à custa da vida.
A criminalidade não é um fenômeno isolado; é consequência direta de um país sem rumo moral. Quando o cidadão não confia na Justiça, quando políticos roubam e são reeleitos, quando o crime compensa e o trabalho não, a desordem deixa de ser exceção e vira sistema.
Eis o retrato cruel: um Brasil rico em recursos e talentos, mas pobre em virtudes e no caráter público. Um país que tolera a corrupção e romantiza o crime não pode esperar segurança, prosperidade ou paz.
Não é o sangue brasileiro que carrega o fracasso — é a indiferença coletiva que o perpetua. Enquanto o povo não compreender que a omissão é cumplicidade, que a ignorância favorece os poderosos e que a corrupção começa no pequeno desvio cotidiano, continuaremos reféns de um destino que não merecemos.
Por isso, foi necessário este introito para introduzirmos nossas considerações sobre o Município de Varginha. Há algum tempo estamos alertando sobre o Mercado do Produtor — falta de planejamento, talvez uma audiência pública ou simulações com os produtores, análise criteriosa do custo do investimento, legalidade após a execução das obras, e a questão de desviar a finalidade, desconsiderando todas as peças orçamentárias (PPA, LDO e LOA). Além disso, não entendemos o motivo de terem permitido a permanência de um comércio no meio da obra, mesmo havendo tanto espaço nas vias que ligam ao Bairro Santana, o que realmente falta para que a obra, inaugurada sem estar concluída, seja finalizada? E ainda, para viabilizá-la, provavelmente, necessitarão de milhões climatização e mais estacionamento.
Há ainda a situação não esclarecida da licitação da “Cidade Inteligente”.
O Ex-Prefeito Verdi Lúcio Melo, não deveria prestar esclarecimentos sobre o suposto tratamento irresponsável com o dinheiro público? Será que os eleitores desejam reeleger esses problemas? Aguardamos ansiosamente saber quais vereadores terão coragem de tomar a frente e questionar essas possíveis falhas, afinal, assistimos de perto a “pontentia” (poder, força, autoridade e ato) dos vereadores por quatro meses. Sabemos que o Diretor da Câmara, tenta, inventa, vai lá, vem cá, mas ainda não mostrou serviços técnicos palpáveis. Sabemos que alguns continuam em lua de mel com o poder e talvez decepcionados ao descobrirem que, verear não é mandar.
Luiz Fernando Alfredo
Novembro de 2025.
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Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.




























Uma resposta
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