O Apocalipse Zumbi

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Sabe, Lurdes, eu sempre tive medo de fim do mundo. Meteoro. Meteoro é um perigo. A gente faz o quê? Esconde debaixo da cama? Num tem jeito. Melhor nem pensar… Tem também bomba atômica. É igual meteoro só que nesse caso um filho da mãe quis apertar o botão. O resultado é o mesmo, eu acho.

Hum… A julgar pelo ET de Varginha, acredito que invasão alenígina é meio fora de questão, Lurdes. Mais ficção que científica. Você sabe que não dou muita atenção nesses perigo. Vírus é muito mais perigoso. A gente viu. Mas deu pra aprender, né? Faz vacina e pronto. Perigo vai embora. Morto pela cópia de si mesmo. Coitado do vírus.

Aí perguntei pro Siqueira sobre essa coisa de teligênci’artificial, se tinha perigo. Pouco, o Siqueira me disse. Parece que o que ela faz é só dá uma misturada no que já existe. É que nem os mexido que ocê faz, Lurdes. Num tem jeito de misturá arroz, feijão e ovo e sair panqueca de batata-doce com moio chutney de manga levemente adocicado, tem? Espero que não, né? Alinhais, pra mim, doce é sobremesa. Almoço é de sal. Mas opa que trupiquei nos assunto. A verdade é que o mundo não acaba de teligênci’artificial. Só fica mais burro mesmo. Mas isso é caminho sem volta, independente de co’quer coisa.

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Por isso que eu preocupo mesmo é com apocalips zumbi. De primeiro, eu achava que isso tinha a ver com um rebelião na cracolândia, sabe, Lurdes? Aquele amontoado de alucinado quebrando janela de carro, amassando porta de loja. Seria mais parecido com filme. Mas as realidade é pior que filme. Muito mais pior. Eu vi na TV. Eu até entendo, Lurdes, os instinto animal do bicho homem. Seja por querência de comida, dinheiro ou seja lá o que for… Entender não quer dizer que concordo, claro, mas vá lá. Pois, pois.

Por isso, medo de tirar o sono mesmo tenho desd’aquele dia 8. O prenúncio do apocalips zumbi. Um monte de desorientado quebrando tudo, sem ninhuma boa razão ou necessidade. Voltaro agora e se reúnem na rua gritando, buzinando, balançando bandeira. Cegos, surdos e, infelizmente, não mudos. Trem perigoso. Não vai dar coisa boa isso, Lurdes.

Tô que não posso ver notícia e já me tremo todo. Essa semana espiei assim, sem querer, e tinha: XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX1. Pensei: ‘Agora ferrô. Vão se reunir de novo pra quebrar tudo.’ Mas era outra coisa. Terrível também, mas outra coisa. É preciso cuidado com as palavra. Mas, na dúvida, tranca as porta se vistá uma camisa amarela e uma bandeira dos Estadunido, Lurdes.

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Autocensura. Era a graça da crônica, mas pareceu meio pesado… Jogar a crônica inteira fora só por causa disso seria judiação, então censurei só a manchete.


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Por Luiz Gustavo
Pequenas histórias de ficção que bem poderiam ser reais. Alguns trechos verídicos que parecem mentira. Um verdadeiro protesto pela resignação pura e simples. Ou o avesso disso tudo. Mire e veja com suas próprias conclusões.

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