O teatro de Ariano Suassuna, especialmente em “Auto da Compadecida”, oferece
uma visão fascinante sobre a espiritualidade cotidiana e como ela pode contribuir
para um mundo mais justo. A obra, rica em religiosidade popular, utiliza personagens
como João Grilo, Chicó e a Compadecida para ilustrar princípios espirituais que
encontram respaldo nas Escrituras.
João Grilo, com sua astúcia, exemplifica a aplicação da inteligência para enfrentar
adversidades e buscar justiça, mesmo que de forma não convencional. Sua
habilidade em manipular situações para proteger a si mesmo e a Chicó pode ser
comparada ao versículo de Provérbios 2,6: “Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua
boca vem o conhecimento e o entendimento.” João usa sua sagacidade de maneira
a alcançar resultados justos, mostrando que a inteligência, quando guiada por
princípios éticos, pode ser uma ferramenta para promover o bem.
Chicó representa a fé e a esperança, mantendo uma crença firme mesmo diante das
dificuldades. Sua atitude ressoa com o ensinamento de Hebreus 11,1:”Ora, a fé é a
certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” A fé e a
simplicidade de Chicó mostram que, mesmo em tempos de provação, a esperança e
a confiança podem transformar desafios em oportunidades para o bem.
A Compadecida (Maria), como figura de misericórdia e justiça, é um reflexo do
princípio de intercessão e compaixão. Ela protege os oprimidos e promove a justiça
divina, alinhando-se com o versículo de Miquéias 6,8: “Ele te declarou, ó homem, o
que é bom; e que pede o Senhor de ti senão que pratiques a justiça, e ames a
misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” A Compadecida representa a
prática da compaixão e a defesa dos injustiçados, evidenciando que a verdadeira
espiritualidade se manifesta na prática cotidiana de virtudes.
As lições de “Auto da Compadecida” sugerem que a espiritualidade vai além dos
rituais e se reflete nas ações diárias. Mateus 5,16 nos lembra: “Assim resplandeça a
vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a
vosso Pai que está nos céus.” Empatia, justiça, inteligência aplicada ao bem e fé são
princípios que, quando incorporados na vida cotidiana, podem ajudar a construir
uma sociedade mais justa e solidária. A obra de Suassuna nos convida a viver esses
valores em nossas práticas diárias, promovendo um impacto positivo em nossas
comunidades e contribuindo para um futuro mais humano.
Padre Max Candido, SCJ.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.




























Respostas de 6
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Texto muito profundo! Gostei bastante!
A verdadeira
espiritualidade se manifesta na prática cotidiana de virtudes. Que nós Cristãos católicos nunca esqueçamos disso.
Nunca tinha analisado o filme nessa perspectiva… realmente é fascinante !
Ótimo texto, Padre.
Excelente