Janilton Gabriel de Souza
Psicólogo e Psicanalista. Mestre em Psicologia pela UFSJ. Professor Universitário e Supervisor Clínico no Grupo Unis. Criador e apresentador, juntamente, com Mônica Godoy do Podcast Psicanálise Conectada. Membro do Topolab (Laboratório de Pesquisa em Topologia e Psicanálise) do Instituto Internacional de Psicanálise (IIP). Pesquisador no Grupo Unis. Atende presencialmente e on-line em seu consultório particular. Organizador de Revista Científica de Psicanálise. Professor e Coordenador da Pós-graduação em Topologia e Psicanálise. Colunista no Blog do Madeira.
Em que estrada você trafega? Onde inicia um território e onde finaliza o outro? Perguntas que o homem contemporâneo faz diante de um mundo sem norte e sem bússola, mas não sem lógica. Falemos disso.
Digo, em minhas aulas, que há poucas coisas novas. Temos, na verdade, mais velhos problemas em novas roupagens.
O trabalho maior em nossa sociedade está “nas mãos” dos marqueteiros que constroem imagens e ilusões do “novo” a partir de uma narrativa discursiva e da manipulação da imagem.
Esta última, no sentido da etimologia da palavra, deriva da mesma raiz de IMITARI, “copiar, fazer semelhante”. Isso, porém, é diferente da palavra “estética”, criada no século XIX, a partir do Grego AISTHETHIKÓS, de AISTHÉTES, que designa “aquele que nota, que percebe”.
O filósofo Platão criou um modelo, que ajuda sobre a reflexão entre imagem e percepção – “O mito da caverna”. Nessa alegoria, as pessoas veem sombras refletidas na parede e as tomam como parâmetro de verdade.
Quando uma dessas pessoas resolve se deslocar do lugar, nota que, para além delas, há um mundo de luz, repleto de objetos a serem explorados e conhecidos.
Ao ela voltar e narrar aos que ficaram o que descortinou, ninguém acredita nela, e tratam-na como louca. Entretanto, Bartolomeu Campos de Queiros, em sua obra “Sei por ouvir dizer” descreve que “Quem vê, não duvida”.
Não haver espaço para questões ou para o erro é congelar-se em um lugar. Aliás, a partir da identificação, há maneiras diversas de se fazer isso.
O psicanalista Lacan em seu seminário, “L’insu-que-sait de l’une-bévue s’aile à mourre” apresenta essas identificações, algumas que passam por algo do Outro, e uma que pode ser encontrada em um traço singular. Neste sentido, conhecer a origem da palavra auxilia para refletir sobre ela.
A propósito, agradeço ao Benoît Le Bouteiller por me apresentar mais uma parte da história, que eu não conhecia: a palavra “erro”, esta vem do latim error e designa “corrida para a aventura”.
Error é um vocábulo derivado do verbo errare: vagar, errar no sentido de “perambular”. A sua fonte etimológica é de raiz indo-europeia. O radical “-er” significa ir, querer chegar. Erkomai, do grego antigo, vem de lá. Já, erkomai significa ir e vir; ir embora. No alemão, irren tem a mesma linha etimológica de errare, pois significa errar, enganar-se.
A partir dessa perspectiva, o erro pode ser tomado de duas maneiras. A primeira é tangenciada pela ilusão humana de um ideal, responsável por imperativos. Nela, há apenas um caminho ideal de caminhar, engessado e sem flexibilidade. A segunda remonta à noção de Ítalo Calvino, em “As Cidades Invisíveis”, segundo a qual só é possível saber de uma cidade a partir da caminhada feita nela pelo próprio sujeito.
O caminho trilhado e pavimentado pelo outro coloca-se como uma ilusão de caminhar sem erros, porém não errar é não se dispor à aventura, ao risco e ao movimento. Quando isso é feito, a angústia aparece, denunciando a direção tomada como a do outro em detrimento de seu passo.
A expressão brasileira “Nem tudo que reluz é ouro” diz o quanto as aparências falseiam, mas a angústia sinaliza que, para além das aparências, há algo que não engana. Logo, quanto mais se caminhar nos trilhos do outro, mais angústia haverá. O capitalismo e outros discursos abrilhantam os olhos para que nunca se pare e não exista um “entre”. Todavia, sem o “entre”, não há o aparecimento do sujeito do inconsciente e de seu singular.
No 10° Congresso Internacional do Unis, afirmei que a Psicanálise e os psicanalistas são tradutores de um tipo de inteligência sofisticada, a que circula nas entrelinhas. Essa só é possível ser apreendida a partir do dispositivo psicanalítico.
O quadro que permite isso acontecer é chamado de transferência. Nela, vive-se uma conexão, não de um ponto a outro, menos ainda de um paradigma de causa e efeito. Todavia, ou, para ser mais preciso, de todas-as-vias que circundam em lugares diversos e múltis. Trata-se, no entanto, de outro paradigma, para além da consciência: o inconsciente, como categoria lógica, lido nas “entre” “linhas” de um modo singular de caminhar.
Por isso é que digo, que “a gente só pode ter uma única referência, a nossa caminhada, fora isso tudo é identificação ao outro”. É na trilha deixada pelo próprio sujeito, que podem nascer suas trans-formações em cada evento, a cada instante. Afinal, a vida e a dedução dela é isso, UM ins-tante!
Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.





























Uma resposta
Muito bom!