Com invasão próxima, palestinos em Gaza ficam encurralados no sul

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Explosão da Faixa de Gaza
Divulgação/ONU

Explosão da Faixa de Gaza

Enquanto Israel aponta tanques de guerra em direção à Faixa de Gaza para iniciar uma invasão por terra ao norte da região, palestinos se deslocam para o sul, na tentativa de fugir pelo Egito.

De acordo com a agência da ONU que apoia os refugiados palestinos (UNRWA), em torno de 1 milhão de moradores de Gaza deixaram suas casas fugindo dos ataques. No sul da Faixa de Gaza, a situação já é “insuportável”, segundo a ONU , com famílias chegando a abrigos que não têm alimento, eletricidade, remédios e outros itens básicos para recepcioná-las.

Dentre os que foram para o sul de Gaza, está um grupo de 28 pessoas que aguarda para ser resgatado pelo governo brasileiro, o que acontecerá assim que a fronteira com o Egito for aberta. São 22 cidadãos brasileiros, 3 imigrantes palestinos e 3 palestinos com residência no Brasil.

Assim como os brasileiros, diversos cidadãos de outros países também aguardam no sul da Faixa de Gaza para serem repatriados. Enquanto isso, a abertura da fronteira é negociada entre as autoridades das nações envolvidas.

A grande questão, porém, é que muitos palestinos também fugiram para o sul da Faixa de Gaza, mas não há perspectiva de abertura das fronteiras para quem não tem cidadania em outro país.

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Fronteiras fechadas

Normalmente, os palestinos que vivem na Faixa de Gaza não têm autorização para deixar a região nem pela fronteira de Israel nem pela passagem para o Egito. Em ambos os casos, é exigida autorização dos países vizinhos, o que pode levar anos ou ser negado.

Cerca de 2 milhões de palestinos vivem na Faixa de Gaza, região com 365 km² – área equivalente a um quarto da cidade de São Paulo.

Durante a guerra, Israel e Egito negociam com intermédio dos Estados Unidos para que um corredor humanitário libere a saída de estrangeiros que estão em Gaza. Neste domingo (15), os EUA acusaram o Hamas de travar esse acordo.

“Os egípcios concordaram em permitir que os americanos cruzassem a fronteira por Rafah (a cidade fronteiriça). Os israelenses garantiram que tentariam, no que cabe a eles, manter a área segura. Ontem (14) tentamos retirar um grupo (de cidadãos norte-americanos), mas a questão foi que o Hamas impediu que isso acontecesse”, disse Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, em entrevista à rede estadunidense CBS.

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Mesmo que esse acordo aconteça, ele prevê apenas a retirada de estrangeiros de Gaza. Os palestinos que se deslocaram para o sul, portanto, se encontram em um beco sem saída.

Segundo a ONU, os abrigos na região já estão com capacidade esgotada. Rawya Halas, diretora do centro de treinamento da UNRWA em Gaza, descreve a situação decorrente do cerco de Israel como “catastrófica”. “A situação é sem precedentes e não pode ser descrita com palavras”, diz ela, em um vídeo publicado nas redes sociais.

Rawya afirma que o abrigo da ONU que ela lidera não tem suprimentos para ajudar as famílias refugiadas. Segundo ela, falta água, alimento, eletricidade e local para receber as pessoas. Além disso, não há alguns medicamentos, como insulina para diabéticos.

“Há crianças, idosos e adultos que eu não consigo ajudar”, afirma, chorando. “Eu estou na liderança deste abrigo, e não consigo oferecer nada a eles, nem água, nem comida. Não temos nada. Nada”.

Fonte: Internacional

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