Há mais de 20 dias o mundo visualiza um conflito entre nações, que vem anulando o futuro de pessoas e da sociedade local.
O aumento da morte de pessoas se deu na terça-feira 17/10, que deixou ao menos 400 mortos, trouxe novamente o grupo armado extremista Jihad Islâmica Palestina ao noticiário da guerra entre a organização terrorista Hamas e Israel.
Para o prof. Me. James Nogueira Bueno, professor de História a guerra é impossível de se resolver, no momento, pois lida com questões complexas e travadas nos eixos políticos, territoriais, econômicos e ideológicos.
O BlogdoMadeira pediu ao professor que explicasse um pouco a origem do conflito. Ele preparou um excelente estudo, que merece ser lido, refletido e compartilhado.
Vira e mexe, infelizmente, nós temos que recorrer à história para entender o motivo de conflitos que acontecem pelo mundo.
Nada melhor do que rever a história para evitar a repetição dos erros. Boa leitura!
Acontecimentos históricos
A Palestina está localizada entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio e até o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, estava sob o domínio do Império Otomano.
Com a dissolução deste império, a Inglaterra passou a administrar a região em 1917. Calcula-se que até o fim de 1946, a Palestina era habitada por cerca de 1,2 milhão de árabes e 608 mil judeus.
Ao fim do conflito, os judeus iniciaram uma série de movimentos migratórios em uma tentativa de encontrar um novo lar após as perseguições ocorridas na Europa. Assim, a área passou a ser dominada por judeus a partir do fim da Segunda Guerra Mundial.
Para esse povo, a região é denominada “Terra Santa” e “Terra Prometida”, mas o conceito de lugar sagrado é partilhado também pelos muçulmanos e cristãos.
Causas do Conflito entre Israel e Palestina
As causas para o conflito são remotas e se tivermos que colocar uma data, certamente seria a expulsão dos judeus pelos romanos no ano 70 d.C., quando os judeus tiveram que se deslocar para o norte da África e a Europa.
No século XIX, porém, na onda dos nacionalismos que surgia na Europa, alguns judeus se congregaram em torno das ideias sionistas do húngaro Theodor Herzl (1860-1904). Este defendia que o lar para os judeus deveria ser em “Sião” ou a terra de Israel, a Palestina e, finalmente, os judeus teriam um lar como os outros povos.
Ao término da Segunda Guerra Mundial (1945), os judeus sionistas passaram a pressionar a realização da criação do Estado Judeu.
Durante o conflito, 6 milhões de judeus foram exterminados em campos de concentração sob as ordens de Adolf Hitler (1889-1945). Assim, com apoio internacional, principalmente pela ação norte-americana, a região foi dividida em 1948-1949 em três partes: Estado de Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza.
A divisão, programada pela ONU (Organização das Nações Unidas), previa o repasse de 55% do território aos judeus e 44% permaneceria aos palestinos.
As cidades de Belém e Jerusalém seriam consideradas território internacional devido ao significado religioso para muçulmanos, judeus e cristãos. No entanto, os representantes árabes não aceitaram as determinações.
Fundação do Estado de Israel
Em 14 de maio de 1948, contudo, foi fundado Israel, após a retirada dos ingleses. No dia seguinte, Egito, Síria, Jordânia e Iraque invadem Israel e deflagram a Guerra da Independência, que foi chamada de Nakba ou “catástrofe” pelos árabes.
A guerra terminou em 1949 e teve como resultado a expulsão de 750 mil palestinos que passaram a viver como refugiados em movimento conhecido como “êxodo de Nakba”.
Como resultado da expulsão dos palestinos, Israel aumentou o território em 50%. A extensão de terras foi indicada pela ONU e ocupam 78% da área destinada à Palestina.
Guerra dos Seis Dias (1967)
Um novo conflito, contudo, desta vez em 1967, rende vitórias para Israel. Na chamada Guerra dos Seis Dias, Israel ocupa a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, a Cisjordânia e as Colinas de Golã, na Síria.
Os árabes tentam reaver o território ocupado em 1973, na Guerra de Yom Kippur (dia sagrado judeu), que durou de 6 a 26 de outubro. Porém, somente em 1979, Israel devolve ao Egito a Península do Sinai após a assinatura de um acordo de paz.
Muro de Israel
Em campo, a vantagem bélica e econômica é israelense. Em 2002, o governo de Israel, sob o comando de Ariel Sharon (1928-2014) iniciou a construção de um muro na Cisjordânia.
A barreira, edificada sob a justificativa de proteger Israel dos ataques palestinos, separa as comunidades locais das áreas agricultáveis. Apesar das críticas internacionais, o projeto foi mantido.
Novos ataques foram iniciados em 2014 de Israel contra a Cisjordânia. Foi a mais violenta ofensiva desde 2005, quando ocorreu cessar-fogo após a promessa da retirada das colônias judaicas dos territórios palestinos.
Segundo o especialista existe comentários e estudiosos que citam possíveis formas de resolver o conflito:
Resolver o conflito entre Israel e Palestina é uma tarefa incrivelmente desafiadora, e não há uma solução simples. No entanto, algumas abordagens podem ajudar a criar condições para um acordo sustentável:
Diálogo e Negociações:
Incentivar o diálogo direto entre Israel e líderes palestinos é essencial. Isso pode ser facilitado por mediadores neutros e a comunidade internacional.
Dois Estados:
Muitos especialistas propõem a solução de dois Estados, onde Israel e Palestina coexistiriam como estados soberanos e independentes. Isso envolveria negociações sobre fronteiras, status de Jerusalém, refugiados, e questões de segurança.
Compromissos Mútuos:
Ambas as partes precisarão fazer compromissos difíceis. Isso pode envolver concessões territoriais, acordos sobre o direito de retorno dos refugiados e a garantia de segurança para ambas as partes.
Mediação Internacional:
Envolvimento ativo da comunidade internacional, com mediadores imparciais, pode ser crucial. Organizações como a ONU, a União Europeia e outros países podem desempenhar um papel construtivo.
Respeito aos Direitos Humanos:
Garantir o respeito aos direitos humanos de todos os envolvidos é fundamental para construir uma paz duradoura. Isso inclui garantir a segurança e dignidade de ambos os povos.
Desenvolvimento Econômico:
Investir em desenvolvimento econômico nas regiões afetadas pode ajudar a criar oportunidades para as pessoas e reduzir as tensões.
Educação e Compreensão Mútua:
Promover a educação que promova a compreensão mútua e respeito entre as comunidades é vital para superar preconceitos e hostilidades.
Lembre-se de que essas são diretrizes gerais, e a implementação efetiva dependerá da vontade política das partes envolvidas e do apoio da comunidade internacional. O caminho para a paz é difícil, mas o compromisso com o diálogo construtivo e soluções justas é crucial.
Por fim, o professor Me. James conclui seu pensamento:
A situação entre Israel e a Palestina é complexa e delicada, envolvendo décadas de história, conflitos territoriais e questões culturais e religiosas. Não existe uma solução fácil, mas muitos especialistas concordam que uma abordagem de dois Estados é um caminho possível. Isso envolveria a criação de um Estado Palestino ao lado de Israel, com fronteiras reconhecidas internacionalmente.
Além disso, é crucial abordar questões específicas, como o status de Jerusalém, o direito de retorno dos refugiados palestinos, a segurança de Israel e o acesso aos recursos naturais na região. O diálogo aberto e construtivo entre as partes envolvidas é fundamental.
A comunidade internacional desempenha um papel crucial no apoio a iniciativas de paz e na pressão por negociações significativas. Sanções equilibradas e esforços diplomáticos podem ajudar a incentivar as partes a buscar uma solução pacífica.
É triste, mas é verdade. Guerras trazem sofrimento, perda de vidas e destruição, não apenas no momento presente, mas também deixam cicatrizes profundas que podem afetar gerações futuras. Além do impacto humano, as guerras podem prejudicar o desenvolvimento econômico, social e ambiental de regiões inteiras.
É importante notar que qualquer solução sustentável exigirá compromissos difíceis de ambos os lados e um desejo genuíno de paz. Infelizmente, a situação é altamente volátil e, até o meu último conhecimento em setembro de 2021, não havia uma resolução definitiva. Espero que haja progresso em direção à paz desde então, pois uma guerra aula o futuro da humanidade.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.





























Respostas de 3
Parabéns Professor. Importante conhecermos a história antes de darmos palpites sem noção. Entendo que, mesmo difícil, a saída ideal seria a paz entre os povos! Todos sairiam ganhando!!!
Excelente explicação, uma guerra secular que nem todos tem o o conhecimento de onde, quando e porque começou.
Parabéns Professor James.
Muito boa explicação, se situar no tempo e as questões para entender um pouco desse assunto muito complexo