Apesar de termos posições políticas distintas, admiro o jornalista Jorge Marçal. É uma pessoa que reclama, xinga, aponta o dedo –e não se esconde por trás de fakes.
Ele sempre foi assim, desde o Jornal A Voz, que trouxe muita dor de cabeça para os políticos das décadas de 1980 e 1990 em Varginha.
Além da ferocidade jornalística, “Pataxó” (apelido interno) possui uma intensa falta de foco. O sujeito é agitado, desnorteado, mas apaixonado pelo que faz.
Trabalhei com ele na Rádio Melodia. Jorge tentava fazer a pauta arrumadinha, deixar entrevistas agendadas, mas ele mesmo derrubava tudo e, quando parecia que ia dar errado, não é que dava certo?
Agora surge a figura Jorge escritor. Poderia falar de política, memórias da cidade, coisas comezinhas.
Mas já chutou o pau da barraca: tentou contar a história de sua família, que já conta com 1.590 membros, em sua sexta geração.
Em 2003 o pai de Jorge Marçal escreveu o primeiro levantamento da família: “Contos e Causos – Histórias e Memórias de uma família quase mil”. Eram 970 membros.
Agora chega “Os dezessete e seus cento e sessenta e dois”. Foram entrevistados 18 integrantes, mostrando a origem da família desde 1888, em Caratinga, Vale do Rio Doce.
Você assunta detalhes das famílias e encontra ali a tradição, a transgressão e a modernidade.
Tem servidor. Tem professora. Tem gente que trabalha com alambique de cachaça até hoje. Tem um garoto que vai interpretar Alan Prost quando jovem, para um documentário da Netflix sobre Airton Senna. Outro é motorista de limusine em Nova Iorque. A dona de casa que mobilizou a comunidade para construir uma capela.
Impossível não ver sua própria família em algum momento. É uma leitura gostosa, mesmo para o outsider.
“Os dezessete…” foi lançado recentemente em Varginha. Infelizmente não pude comparecer, mas Pataxó me levou um exemplar de seu livro na redação do blog. Trocamos figurinhas: ele levou um exemplar do “Causos da Política em Varginha”, de minha autoria.
Obrigado, Jorge e parabéns.
Ah, na apresentação do livro “Os dezessete…” na Casa da Cultura Nico Vidal, também foram lançadas outras duas obras: “Prima Loucura”, de Adilson Teixeira dos Reis; e “Cartas de ninguém”, de Gustavo Marangão.
Conheci Adilson em um encontro literário realizado na Casa da Cultura. Tem uma história de vida interessante e textos idem.
Gustavo Marangão é velho conhecido nosso, colega jornalista que também carrega a paixão pela literatura.
Vou adquirir e ler as duas obras para, depois, trazer aqui minha opinião.
Bacana demais essa movimentação cultural em Varginha. Falta o povo chegar mais perto.
Quem se interessou:
- Jorge Marçal: 73 9.9807-6677
- Gustavo Marangão: 35 9.8820-0240
- Adilson Teixeira dos Reis: 35 9.9970-4806

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.

































Uma resposta
De fato nossa realidade familiar ficou bastante nítida nas entrevistas e transcrições. Pataxó agradece a crônica e a leitura. Os “Causos da Política” também retratam bem as épocas e as circunstancias dessas épocas.