Reforma Tributária e o Setor Cafeeiro: impactos técnicos na formação de
preços
A Reforma Tributária aprovada no Congresso Nacional introduz mudanças
estruturais no sistema de arrecadação brasileiro, com a substituição de tributos
como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois novos impostos sobre valor agregado: a
Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
No setor cafeeiro, estratégico para Minas Gerais e para a balança comercial
brasileira, os reflexos serão diretos na composição de preços ao longo da cadeia
produtiva.
Efeito sobre a cadeia produtiva
O modelo de IVA traz maior transparência e uniformidade, mas reduz margens de
manobra que hoje permitem créditos e regimes diferenciados. Isso significa que:
• Produtores rurais poderão enfrentar mudanças na tributação de insumos
(fertilizantes, defensivos, máquinas), impactando o custo de produção.
• Cooperativas e exportadores terão de se adaptar a um regime de crédito
mais rígido, o que pode alterar o fluxo de caixa e a precificação do café
destinado ao mercado interno e externo.
• Indústrias de torrefação e solubilização terão incidência mais uniforme de
tributos, com menos benefícios fiscais, pressionando o preço final ao
consumidor.
Impacto no preço do café Estudos preliminares indicam que a carga tributária
sobre alimentos e bebidas pode variar conforme a alíquota final definida para o
IVA.
Para o café, isso se traduz em:
• Mercado interno: provável aumento do preço pago pelo consumidor,
especialmente em cafeterias e redes varejistas.
• Mercado externo: possível perda de competitividade frente a países que
operam com regimes tributários simplificados e com menor ônus fiscal.
Competitividade e riscos de repasse
O setor cafeeiro é altamente exposto ao mercado internacional. Qualquer
aumento de custo que não possa ser absorvido ao longo da cadeia tende a ser
repassado ao produtor ou ao consumidor. Essa dinâmica cria risco de:
• Erosão da margem do produtor, caso os preços internacionais não
absorvam a elevação interna de custos.
• Pressão inflacionária interna, com repasse parcial ou total ao consumidor
final.
Oportunidades e ajustes
Apesar dos desafios, a Reforma oferece oportunidades:
• Simplificação tributária: redução da burocracia no recolhimento e maior
previsibilidade para planejamento de longo prazo.
• Ambiente de investimentos: maior segurança jurídica pode atrair capital
para inovação e sustentabilidade na cafeicultura.
• Compensações setoriais: o governo prevê regimes de transição e fundos de
compensação que podem mitigar impactos no curto prazo.
Considerações finais
A Reforma Tributária deve provocar uma reconfiguração da estrutura de custos do
setor cafeeiro, exigindo ajustes estratégicos em todas as etapas da cadeia: do
produtor ao exportador. A capacidade de adaptação será decisiva para preservar a
competitividade do café brasileiro no cenário global e assegurar a
sustentabilidade econômica de um setor que responde por uma das maiores
fatias da economia de Minas Gerais.
Secretária da Argumento Jornalismo Ltda (BlogdoMadeira e Jornal Folha de Varginha). Estudante de Publicidade & Propaganda.


























