Alimentação e economia

Férias de julho trazem otimismo para bares e restaurantes em Minas Gerais

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Levantamento da Abrasel aponta que 47% dos empresários esperam alta no faturamento; entidade no Sul de Minas avalia impacto de apostas e balanço da Copa.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Minas Gerais revela que 47% dos empresários do setor de alimentação fora do lar esperam aumentar o faturamento durante as férias escolares de julho. O otimismo é impulsionado pelo fluxo de turistas de inverno e pela mudança na rotina das famílias, ajudando a compensar os desafios financeiros do setor e as mudanças recentes no comportamento do consumidor.

Para 54% dos entrevistados, as vendas deste mês superam as registradas no mesmo período do ano passado. De acordo com a entidade, o mês de julho redistribui o consumo pelo estado. Cidades associadas ao turismo de inverno e locais históricos, como Monte Verde, Tiradentes, Ouro Preto e Diamantina, vivem um dos períodos mais intensos do ano, o que ajuda a reforçar o caixa dos estabelecimentos.

Apesar do otimismo sazonal, o setor ainda lida com margens apertadas. O balanço de maio mostrou que 42% das empresas operaram com lucro, 43% ficaram estáveis e 14% tiveram prejuízo. Além disso, o endividamento afeta 39% dos negócios, sendo que os impostos federais lideram as contas em atraso (69%), seguidos pelos tributos estaduais (38%).

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Diferente das projeções iniciais, a movimentação comercial durante a Copa do Mundo ficou abaixo do esperado para muitos empresários do Sul de Minas. Segundo relatos colhidos em municípios como Varginha, Três Corações, Pouso Alegre, Itajubá e Poços de Caldas, apenas os estabelecimentos que já possuíam forte tradição na exibição de partidas registraram saldos positivos.

O presidente da Abrasel no Sul de Minas, André Yuki, pontua que o hábito do consumidor mudou, com o público preferindo se reunir em residências equipadas com áreas gourmet. “Com cerca de 87% da população endividada, o consumidor está mais cauteloso na hora de gastar”, explicou Yuki. Nos bares que ficaram cheios, o consumo concentrou-se em bebidas, o que derrubou o valor médio gasto por cliente (ticket médio). Em contrapartida, os restaurantes tradicionais viram o movimento migrar para o sistema de delivery.

Outro fator que vem preocupando o setor de alimentação é o crescimento acelerado das apostas esportivas virtuais. Dados da fintech Klavi apontam que o volume de brasileiros que realizam apostas saltou de 11% para 34,8% durante o Mundial, com o gasto médio subindo para R$ 524,00 por pessoa. O endividamento gerado pelo jogo reflete diretamente no ambiente de trabalho.

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Um levantamento específico da Abrasel constatou que 87% dos proprietários de bares e restaurantes já identificaram colaboradores com o hábito de apostar, e 63% notaram reflexos na rotina profissional. Os principais problemas listados incluem o superendividamento dos funcionários (75%) e o uso de aplicativos de apostas durante o expediente (58%). Para ajudar na prevenção e apoio às equipes, a entidade preparou uma cartilha de orientação e educação financeira para os gestores.

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