Muitos homens tem mania de esconder dinheiro das mulheres: uns colocam em roupas que não são mais usadas; outros em sapatos velhos e, até mesmo em vasilhas sem uso. Com Josglondino não era diferente, ele escondia o dinheiro da coitada da esposa com frequência onde ela menos esperava, escolhia um lugar mais seguro. Até que um dia deu burro.
Josglondino dava um duro dos diabos; trabalhava de sol a sol, para sustentar a família, para sobrar alguns trocados, fazia bicos aos domingos e feriados para tomar sua cachacinha sem pedir fiado ao vendeiro.
De quando em quando, ganhava um pouquinho a mais quando trabalhava para Dona Flor, uma velhinha simpática proprietária de uma casa grande. Ela sempre precisava dos serviços de Josglondino para deixar seu jardim bem cuidado.
Dona Flor, sempre chamava o jardineiro que atendia de pronto. Ao terminar o serviço, levava um “extra”; era com ele que comprava guloseimas para as crianças e um queijo com doce de goiaba para a mulher.
Com medo de ficar sem dinheiro no dia a dia, o que sobrava Josglondino escondia a sobra no meio de uns jornais velhos dentro de um guarda- roupas, quando precisava, recorria ao seu cofre improvisado.
Os dias passando e, Josglondino continuava no mesmo batidão, trabalhando de servente de segunda a sábado. No domingo ou quando pintava um feriado lá estava na casa de Dona Flor. O “extra”, estava garantido.
Numa noite daqueles dias, Josglondino sonhou com Dona Flor dando ordens para mais umserviço. O sonho foi tão intenso que acabou tendo uma vontade danada de fazer uma fezinha no bicho. Foi lá no seu esconderijo e tirou sua última nota de 100 cruzeiros. Passou na venda e jogou no número da casa da velhinha. Batata, não deu outra. No final da tarde, a centena jogada deu na testa. Josglondino havia acertado na cabeça os números da Federal.
O prêmio foi de seis mil cruzeiros; Josglondino ficou maluco. Com tanto dinheiro, não sabia o que fazer e, seu maior erro foi guardar a grana em seu cofre improvisado, com medo de sua mulher descobrir e querer gastar a grana.
Dias depois, não se sabe o porque, a esposa resolveu fazer uma faxina geral na casa. Juntou tudo que era imprestável: papel, jornal, revista velha e até livros das crianças que não eram usados e, cascou fogo em tudo no quintal da casa. Lá no meio da papelada estava a pequena fortuna de Josglondino; a esposa não sabia da existência do dinheiro no meio dos jornais.
Foi uma tragédia para o jardineiro. Nunca mais em lugar nenhum escondeu dinheiro. E, o pior de tudo: nunca mais acertou no bicho.
JB Tatu é radialista e operador de telégrafo. Torce para o Sport Club Humaitá, do Acre.

Jornalista profissional (formado em Comunicação Social e Direito), radialista e cerimonialista. Escreve sobre política desde 1993. Fundador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Servidor municipal. Comendador do Mérito Legislativo de Minas Gerais. Diretor de Comunicação da ACIV (Associação Comercial de Varginha) e vice-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Varginha). Foi membro da Academia Varginhense de Letras. Diretor da Abraço e do Voluntariado Vida Viva. Comentarista político da Rádio Clube de Varginha (99,3 FM). Organizador do livro “Narrativas de Nico Vidal”. Autor do livro “Causos da Política (acontecidos em Varginha)”. Apresenta o Blog ao Vivo e o Podcast Varginha em 1 minuto ou mais. Cozinha pra família nos finais de semana (às vezes fica bom). Cruzeirense.



























